quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

das lidas

e por rir borbulhantemente alto fiz em meu desprezo uma carícia e um cafuné, como fosse ele menino pequeno.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

bolhas de bilhar

as indizibilidades dos causais.

do natal

já quis matar antes de nascer, já quis brincar de alquimia com (a tirar da lira de cascalho o ressonar do ouro), já quis já fiz já aconteci. as listas se seguem.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

sim

nesse caso, o vento vai, leva minha roupa, e eu fico. e tenho minha pele pra tocar.

tamanhos

que eu podia falar falar falar falar falar falar falar

nomes

te chamei 'surto', pra que quando passasse por mim, eu ficasse louco na hora, mas depois ficasse como 'ufa!'.

de sonhos alucinados

nunca cansar de querer ver jorros de purpurina-cocaína saindo de dentro deles, os olhos se abrindo em girassóis e vias leitosas, as mãos deixando escorrer sangue fluorescente florescente pelos furos de pregos e o eterno prometer de um devir-mais.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

keep walking

eu e você loucos andando pela praia. eu estou vestido com uma fantasia de coelho, mas com a cabeça de um pássaro.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

domingo, 19 de dezembro de 2010

domingo à tarde

foi assim que aquela leve nostalgia molhou todas minhas roupas e deixou minhas mãos também úmidas e o papel cheio de manchas e cama e a casa encharcadas.

fragmentado

é, portanto, da natureza dos humores que sejam líquidos, e que portanto molhem as coisas.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

dessas coisas

ele achava que xingava alguém, mas era só espelho e vento o que havia.

precário

por deus que eu nunca na vida poderia entender ou imaginar ou coisa assim que alguns erros poderiam ser tão bonitos!

minhas trovas mudas

nenhum tanto de poesia pode segurar coisa alguma. mas sem ela, tem graça não.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

cruzes!

que coisa é essa que é ser o anunciador da boa-nova? põe dois esses nessa porra aí e vamos pra bossa, galera!

tendendo à piedade

a causalidade e o controle de si, rotas tão obsessivas, que sentimentos vindos de lugar algum se tornam coisas a serem eliminadas. pobres de nós, "modernos".

batalhas e tocas

o maior problema de um quixote contemporâneo: hemorróidas nervosas.

não falamos mas sim somos falados

do mesmo jeito que uma gira toma um corpo, pode uma tese que pode terminar em um violento acesso de tosse. até que o pulmão esteja fora, dizendo por si os ares.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

pra tentar achar

o que há de tão atraente em certos assassínios, senão a noção de morte ou a de domínio? me vem assim que a pirotecnia, mas acho que a lista segue.

chuva pela sacada

naturalidade desse eu. principalmente enquanto experiência estética.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

plácido

projetos que são projeções. idéias que não podem ser ideações. que só sejam.

pole dance

assim, de repente, se lembrou o que era se sentir num palco. mesmo que platéia de si mesmo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

hey pehnt

parece óbvio - e quantas vezes não começo a dizer algo com essa idéia - mas achar uma coisa bonita não significa querer vivê-la ou fazê-la ou sê-la ou fodê-la ou --- segue

domingo, 28 de novembro de 2010

manias

ainda o apego à verdade. tem umas de si que são difíceis de extrair. se violência não resolve, vou fazer carinho no meu braço até que ele caia naturalmente.

marionético

e cada vez que ele fazia um gesto, logo lhe vinha imaginar o que era aquele gesto, por que era o gesto, com quem era o gesto. desses modos: de que desenrolar secreto.

trocar uma letra

transformar a renitência em remitência.

sábado, 27 de novembro de 2010

a beleza de borrões

é que as nitidezes se perdem, nas tezes. é que o espaço das teses fica mínimo, quase nulo.  fronteira vira só palavra, e palavra feia. às vezes. se são plurais ou não. borrar a linguagem. isso se diz em algo. pode piorar. fica grande. fica difícil de engolir. é belo. mas meus dedos. isso fica grande. está grande. quero que escorra. e borre.

não tão perto, por favor

acho foco uma parada tão bonita. mesmo que vá pra algo como obsessão eventualmente. parece coisa do menininho autista. meu olhar, contudo, vira pra tudo quanto é lado o tempo todo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

segredo não se conta

e o menino pensou na sua mão esquerda, apertando uma moeda de chocolate, e disse que ia lembrar mais de lembrar que aquela valia mais que ouro.

quiprocante

a árvore frondosa olhou pra outra que era frondosa mas mais pálida e viu que também a olhavam com a mesma admiração e pensou se ela mesma árvore frondosa mais reluzente que via e pensava não estaria vendo suas próprias folhas mais verdes do que elas mesmas eram e ficou louca e se dobrou em viola e foi então que deu certo.

à guisa de não-concluir

não é à toa que tanto artista fez do amor e morte mistura num corpo só como um ser metade-metade, um hermafrodito estranho

pra fazer

todo aquele pique gasto no início da maratona, e no final os ossos querendo estourar pra fora da perna.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

os ídolos, o barro, o ouro e tal

com uma palavra. e com ela, sentenças tantas articuladas. e formando edifícios. se ficar bem alto e tapar o sol. se for preciso guindaste com uma grande bola de aço. pro que for, como for. um heroísmo possível. mas eu, mínimo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

a se exercitar

um post por hora. vai ser complicado para o sono. para um dia em que se resolva virar então. de repente, toparei no avesso e batendo os dentes no chão farei poesia na calçada.

a mão que não cansa

esse texto está sendo escrito pra sempre

ou fato

do quanto que no sonho um cheiro que se venha. pensei nas roupas que poderia roubá-las todas. e nunca mais sentir falta.

sem fresta

do lado de fora, choveu muito, e eu só ouvi mas não vi. como que quando você sabe que algo é muito bonito mas não alcança a beleza.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

telemática e redes de pesca

com a costura exposta. ou também, se não, que uma forma contínua qual gaudí, no qual teto vira escada num prosseguir quase que natural, como curvas de passistas. o jogo com um tema recorrente e tão verdeamarelo, e o que a imagem velha e quase sacra disso, tão recantada e quase requentada, pode ser espremida para exprimir um outro versário. fazer com que.

domingo, 14 de novembro de 2010

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

com/sobre salò de pasolini

enunciar o horror que vem a seguir não diminui o horror. a surpresa ou a antecipação são detalhes sem importância frente à experiência. ainda que o horror possa ser êxtase, dizê-lo previamente é igualmente irrelevante. é quase como: "agora, com vocês, o globo da morte!". e por outro lado, sem dizê-lo, o globo da morte simplesmente brotasse. detalhes do espetáculo a parte: o globo da morte é o mesmo. qual seria então o mistério de anunciá-lo pra além de mero adorno?

dias que

vida pacata soa bonito como palavra, e como imagem, e como brisa de fim de tarde depois de dia cansado, e como vinhozinho pra relaxar com alguém do lado, e como plano de viagem de fim-de-semana

terça-feira, 9 de novembro de 2010

sobre zen-budismo de botequim

o mistério das coisas de caeiro me sussurrando aqui, mas foi cortázar que deu o tom. e o encaixe com uma pala recente com amigas queridas.

zen-budismo de botequim

os peixes e a ausência de percepção, enquanto percepção de si, e enquanto instância passível de recorte. os peixes só são.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

em marcha, avante

saindo com os pés. hoje errei. vi a foto de famíliia na parede. deixando marcas pela cidade. meus pés um dia se lavam. a cidade e a chuva fininha, limpa nada... vi tanto rosto e tanto badulaque. vi tanto e com olhos de um estranho.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

post objetivo

ah, hoje fui pro estágio, aí almocei com amigos, depois tomei café com amigos, depois tive aula, depois levei minha caixa de som pra arrumar e...

meios de operar (ou bisturi e sutura)

eu já tinha tudo à vista, tudo colocado, tudo posto. lhe era reservado um encaixe dentro da obra e não mais. é assim minha tão cara crueldade.

no caderno ao lado

desenhado um barco vermelho em folha de papel. penso que um trajeto percurso, se banhado de sangue, como um nascimento.

da beleza de pontos finais

é que são períodos. uma sentença se finda. depois se pá outra. um texto de uma mão que pode até cansar, mas nunca descansa.

de algo em sobra

nessa última viagem precisei comprar outra escova de dentes portátil. que hei de fazer com duas? me veio cortázar com seu Manual de Instruções à mente e o projeto de ao menos ficcionalizar os outros usos possíveis. pois que: viver a tirania dos usos dados é por demais banal.

rayuelando, como duelos

numa batalha de impressões, fazer coleta de ruas e locais do Jogo da Amarelinha de Cortázar, e se perder eventualmente por Paris.

dica:
foto da rue Monsieur Le Prince, citada no capítulo 6
http://www.pariscool.com/album/galleries/toutes/050013_restaurant_polydor_rue_monsieur_le_prince.jpg

corados

que o amor pode ter muitas cores. se pá arfante é meio roxo violeta lilás. se de amanhecer, laranja e azul. se no breu, um amor piche. se de esgoto, esverdeado.

formigas

com o cortázar, com a lygia, com a augusta, na terra do parquinho, os outros, nós todos, e o dedo quando colocado à frente do caminho de uma dizendo que há sempre o indeterminado depois da esquina.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

retratante

aquele céu rajadinho, parecendo que nuvens picotadas, por entre elas fazendo trilhas, meio que mapa hidrográfico meio que veias do braço.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

vai pra lá

o céu naquele fim de tarde, completamente inchado

entomologizante

esses insetos todos com vidas de piscarezinhos fazem pensar em nós todos aí que no fim vamos querer dizer que foi rápido demais.

marginando

depois do mergulho no sono, acordar com corpo dolorido faz pensar na batalha pra se manter vivo.

só mais uma

essa mania de ficção, de inventar resposta, de marcar canção, de dizer que é, de nem dizer, de achar que não, de esquecer, de lembrar, de rir. tudo tão babaca e tão bonito.

de fronteiras

das merdas que a gente fala bêbado, ou entorpecido, ou retardado. o que lastra? o que prega? o que fica grudado na parede e não sai mais? tipo massinha de criança no papel e vira uma coisa só.

urgh

se fosse um urro

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

comunicações

uma vez Thom disse que There There o lembrava festas num apê em NY ao amanhecer. a mim, vai me lembrar caxambu louco num fim de tarde.

say hello to the angels

ah sim, eu me lembro do tchau. do último. é. agora nem sei mais se foi dia antes. mas fica como lembrança do tchau. música foda. viver devassa e debulha. viver cerveja, HE.

comentário

é, a fonte do bloco de notas tem algo de antiquada e deselegante ao mesmo tempo. sim, possivelmente lembra de máquina de escrever. um charme, porém tosco.

potinho

é transparente, já teve uso?, ocasionalmente cinzeiro, água dentro, e escondido ante às possibilidades. deixar que ninguém veja pra que tudo fique mais certo.

cheiros

na minha camisa xadrez, misturado o cheiro de duas, e posso sonhar e querer mais um monte de mesclas.