terça-feira, 27 de dezembro de 2011

bobeirinha

e eu não quero jamais perder minha doçura
(e que isso não seja como quando eu pensava que eu jamais largaria o videogame)

domingo, 25 de dezembro de 2011

tolo império te fiz todo

tomo-me eu dado a besteiras
tolo por ti, ele, outro,
qualquer pequeno detalhe bobo eu bobo você,
abobando, tomo-me escrevo letras estrelas em papel de pão,
coração, escravo,
diz seu nome seu segredo, plaga,
não descubro, me esconde, minha pele furos e chagas,
e tudo brilha, ainda brilha, até que vem o dia

seguinte,

vagalume...
vaguinho...!
apaga de uma vez
de uma vez só e ninguém
ninguém mais vê
e nunca mais
nunca mais viu e só
isso aqui que ficou
e ficou só isso aqui

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

felicidade

felicidade,
que eu te goze quando tu és,
e que bem saiba
viver sem tu a me fazer virar dança,
girar roda,
plantar bananeira,
semear terra,
arrastar poeira,

felicidade,
que eu bem me saiba sem ti,
que sempre em fuga,
areia,

a vida: essa fábula chinesa

a dúvida de se a sorte
e o azar
é azar
ou é sorte,

(é só jogar moedinha pros altos, é?
é questão de luneta, binóculo ou microscópio, é?)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

alucicrazy beleza

maluca doidona linda

na real

tu corre um grande risco
ou tu simplesmente sabe de ti?

ah,
eu sei de mim,
na real

de clama

o corpo tem vantagens
que a própria vantagem
desconhece

palhaçada

até
"viva a festa!"
veja, deus,
chegou a falar

frita, batatamenina, frita

‎"ça ne retournera plus ça"

esaacoisa não retornará mais essacoisa
sá nem retornará plim sá

ó sorte

me faço-te
inteira
desenhos
que digam
ça

ei, mundo

ei mundo,
que que tu anda ouvindo, mundo
que devassa arte, mundo
essa que eu te faria ao me
io
ei mundo,

transcompondo

e perdi
o limite
da buonasenzá

questa mamá!

eu

au

almondeg

um animalzinho

ai de mim!

ai de mim se eu ainda
mantiver
a memória

almondeg vs almondeg

violência vs violência, mano

detalhística e eterna

e, antes, era todo deslumbrado
agora sabe até das minúcias

vietnam

tem um som legal

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

rabailico

O sexo anal, socialmente cercado de tabus, é transformado em diferencial próprio àquelas que exercem e assumem seus desejos. Se elas brincam com a xereca / eu te dou uma chá de cu, gaba-se Valeska, recusando-se a ter um orifício cuja função seja somente a de verter merda.

http://revistapittacos.org/2011/09/02/ola-mundo/

dionísíssima

E
Vênus
cagando

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sheyla Juruna sobre a Europa

"Eu estranhei. Fiquei triste e oprimida. Não consegui enxergar beleza. É um mundo de concreto. Terrível. Só conseguia pensar no que havia antes que foi destruído para que aquilo tudo pudesse existir. Só conseguia pensar nos povos que viviam lá antes e viraram História."



http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/10/pequenez-do-brasil-grande.html

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

das escadas

eu deveria ter te tomado
mais devorado
mais
eu deveria

mas agora
te imaginando
rolando degrau por degrau
sorrio no canto dessa minha boca

e matar e morrer
e ver que não morreu
e não morri
e, de novo, matar e morrer,
até deixar tudo ir
até deixar tudo ir

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

From the second leaflet of the White Rose

"Since the conquest of Poland three hundred thousand Jews have been murdered in this country in the most bestial way … The German people slumber on in their dull, stupid sleep and encourage these fascist criminals … Each man wants to be exonerated of a guilt of this kind, each one continues on his way with the most placid, the calmest conscience. But he cannot be exonerated; he is guilty, guilty, guilty!"

domingo, 9 de outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

kalos eidos scopeo

o adivinho,
os dois reis,
o homem da sanguessuga,
o feiticeiro,
o último papa,
o mais feio dos homens,
o mendigo voluntário
e a sombra.

domingo, 2 de outubro de 2011

desenhos-blocos

tantas casas que sonhei
outras que não a minha

sete aposentos, um tanto mais,
na beira de um rio,
a correnteza
de repente
leva

se isso faz se mim feio...

devo admitir que estou preferindo a saúde à doença.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

tigre de papel

folha fina carbono marca-dedos
dobra amassa firme
recorta faz outras coisas

mas faz mal nenhum

Urgida

Tirar: a roupa,
arranhar: a pele,
de nada: adianta.

Nem mordida,
nem, beijo.

Não é assim que se vê mais
vida, mas eu insisto.

E um dia
te arranco a carne dos
ossos pra descobrir que

não
há mais
nada.



Base, palavras, texto: http://sickburningchild.blogspot.com/2011/09/lxxx.html

débitos

com o fogo-fátuo
nos dizem
terem fome

terça-feira, 27 de setembro de 2011

de altares

já não mais
(...diferença faz)
já tanto faz

se meu altar é uma taça de vinho
ou uma lira dourada

se o holocausto é de mim a mim

sábado, 24 de setembro de 2011

a mim

chega perto
diz que vem
e chega

apequena o buraco
tampa minha boca que fala demais
tampa meus olhos desesperados

me dá descanso,
me deixa exausto,
me faz.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

modus operandi

Deglutir os demônios e dar à luz a mil bolhas coloridas translúcidas
Deglutir os demônios e dar à luz a mil bichos mágicos e lindos

da fé

Poesia
dá mais margem
espaço rio pro
indizível e
pro som cadência e pra forma
desenho

retrolucidez

o monstrinho que olha a própria barriga transparente
(a própria deglutição -
produção recomposição alimentação desintegração)

terça-feira, 20 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

letra

tamanhos pesos bolores de repente o edifício
ao chão todo inteiro
cacos

antes fossem antes fossem
nacos
pra celebrar festim

as balas belas bolas
sangram mesmo fazem furos
sem doce
atravessam

me diz, me diz, me diz,
diz de novo que pra tirar de letra
basta mudar uma

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Um Movimento / Um Mover

Satisfação integral dos gestos de dança
dos pés giratórias que misturam estados de alma
das mãozinhas voadoras
das palmadas secas e precisas.




(retirado de Sobre o Teatro de Bali, de Antonin Artaud)

as caixas ocas

elas vêm de árvores
que eram vivas e são mortas
e viram caixas

elas ressoam sons
elas impressionam
elas são ocas
não tem sujeito dentro alma dentro nada dentro

palavrinha bacana

langor

domingo, 4 de setembro de 2011

vendados todos

e cada passo dado
vira mais um dado
na prancheta posto
fichado
escrutinado

ou entregue na mesa
e seis pontos
ou um só
olhando pra cima


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

o anti-apolo

sabe...
(o olhar vidro-estilhaço-perda)
quando você olha a figura
um tempo
a figura composta por uma série
de uma série de uma série

de figuras
ainda menores,

sabe...?
(a íris-retina-globo-tântalo
e o mundo-estilhaço-perda)

desse jeito o olho-engodo
faz formas em cima, inventa
torpes maneiras que deem
jeito pra fingir
um quadrado
- que seja -
circulo trapézio, vá lá
o que mais que caiba for,

sabe...? diz que sabe...

(se
precisar
o ouvido
fingir que escuta
alguns silêncios)




é nojento, não?

cronada

te tirei da linha
não atiro mais, te fiz sair
do som da flauta um tempo

um tempo

soou um uivo.
distante.
caindo.

se fizer virar
isso revirar
finais?, revoltas são
banais, legais,

animais loucos
de dentes rangendo, querentes
de pernas frescas, queimando,
animais curiosos,

animais gozados somos nós, todos,
sempre de barriga vazia e sempre
buscando voltar

pra depois,
pra antes, pra agora,
rosnando pro tempo.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

personal dictionary

funny:
misguiding
misleading

esbarrão

vou te revelando doutros meios,
eu vou,
te enovelando, te racontando,
noutros meios, e nas pontas onde
guardá-las, onde
fazer por qual meio fazer
por onde,
nesse onde, nessa onda,
nesse te
velando à luz acesa mas não
que eu peguei no sono
e você
, nos pegamos juntos,
e melhor ainda

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

ah sim, ah sim,

ah sim, me dá um banho,
me dá um banho,
me dá um banho

o zero no meio

é normal seguir
normalíssimo
inventa um novo gosto,
um novo doce,
um novo tesão,

faz uns desenhos pra ele,
veste uma roupa diferente,
se pá muda de perfume,
de repente você encheu tudo
de coisinhas todas
tolas todas tolas,
mas gostosurinhas,
tem que ser,
tem que ser,

eu falo nessas línguas,
eu me lembro de meu irmão adrian,
eu mando um beijo para adrian,
e digo que ficar louco é pra ele...

e penso que ou0não
que até fazer isso grande0assim
com um 0 no meio sei lá porque
deve ser alguma0coisa

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

picotes no chão

se eu precisar me emular
em você pra me inventar
que seja, beleza,
tiro o negativo,
faço uns recortes, umas colagens,
qualquer coisa, qualquer beleza,
triste triste paisagem,
seus olhos aos pedaços,
se põe de quatro,
faz um retrato,
te invento torto,
me invento rato

em seguidas

acho tola sua tolice
acho suave acho bonita
acho tola sua tolice
acho abjeta
te acho tolo
você é bobo
você é bobo
você é muito bobo
mas é tolo é bonito isso
de querer fugir
é tolo é bonito
isso tudo que você inventa
pra se fazer ser
eu que não sei mais
eu sei que não sei
o problema é esse
eu posso
não posso
interrogação
interrogação
interrogação
beijo-grande

cara pálida

eu entendo a vergonha que você sente de você
eu sinto a mesma

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

babacar

matizar
com goles de mate
cabe melhor bem melhor
goela abaixo e depois estômago
por fim intestino e vai pra fora na urina

repete repete repete

matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar matizar 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núcleo pulsante das belezas fugazes

corpo contra corpo
pele contra pele
e seu corpo é belo
pelo-amor-de-deus!


clube da esquina, pelo amor de deus!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

quarta-feira, 27 de julho de 2011

ventidão

o tanto que o vento ventou hoje, meu cabelo inteiro ficou uma bagunça,

wild is the wind,

tentou levar as cadeiras de plástico mas bem os bons moços se acorreram e acudiram,

até quis ver dorothy e vacas no tornado
mas tudo que fiz foi segurar o cardápio
e terminar o chope

terça-feira, 26 de julho de 2011

autor

eu que farei de meu corpo
nesse ir-dias sempre
tristeza, lama e calafrio
realeza, pluma e pavio
leveza, vento e baunilha
beleza, alento e romã

quarta-feira, 20 de julho de 2011

sonora

cor é o teclado 
os olhos é o martelo
a alma é o piano com as cordas.


*frase de kandinsky

plath

bela, com seu tom curto e grosso,
algo que caberia ser reticente
mas é só cortante e amargo

terça-feira, 19 de julho de 2011

sábado, 16 de julho de 2011

....................

tenho usado mais reticências, inclusive as anti-estéticas, e não tem porque eu inventar algo que explique

terça-feira, 5 de julho de 2011

segunda-feira, 4 de julho de 2011

belezuras

a gente é besta, hein?
é, a gente é besta.

mudando de assunto

eu ia pedir pra você dar oi
e fingir que existe
mas lembrei que nada-a-ver e escolhi
o auto-desprezo

fazer-o-que?

queria muito você aqui agora.


teletransporta aí, vai.


tou com um cansaço e uma coisa que seu abraço e seu olhar e todovocê iam me fazer bem. como um bom chá, que esquenta também, e deixa gosto bom, e adoça, e...


beijo com carinho.

fodeu, que coloquei o Songs of Love and Hate

dizer é muito pouco
é suficiente
é só o que podemos fazer


faz um chá pra mim que vou
fazer um chá pra ti que vamos
cada um fazer um chá pro outro
que é melhor que isso tudo

mas dizer não é só
isso que faz dizer ou que faz
esse tanto de bobagem

levanta, sapateia, vira do avesso,
acha umas tintas, sai do buraco,
grita pro alto e as nuvens são só
água que não caiu ainda

a gente pode até rogar pra morrer afogado
pode até tanta coisa - poderia -
pudera -
adianta de nada.

não sei se faço isso por necessidade
de me mexer, não sei,
não sei porque ainda me pergunto isso, não sei,
não sei porque isso segue e não cessa,

não sei também,
não sei, não sei, e não sei,
como se repetir adiantasse de alguma coisa,
não sei, mas ainda vai, não sei, porra-não-sei,
que não-sei grandão, hein?,
cada um mostra o tamanho do seu não-sei
e compara, mas adianta não, adianta?,
não sei, chega perto, sai de perto,
não sei, pra quê?, não sei, e segue,
é, ainda vai.

fofíssimo

ah, eu sinceramente
não acredito mesmo
nesse escarcéu todo
só porque não há céu

(eu que sou tolo mesmo,
ou é só acreditar
numa seilá luz interior
que faz tolice do escuro)

e eu não acredito
que seja tão duro assim,
não, não acredito,
e eu sou um escroto por isso.

(sua dor maior que todas
tão maior que todas as dores
NOSSA, QUE DOR ENORME
como cabe em você? como?)

(explode, vai,
em pedacinhos
que nem vai doer nem
fazer tanta falta)

sábado, 25 de junho de 2011

sensação de maratona

a mim veio
o que era
tornar a angústia sublime

e da dor
trair
traçar
a vitória

(eu sei desse arrancar
desse arrancar
desse arrancar
de casca de ferida

sei também que ele é
que ele é
que ele é
um jeito de viver melhor)

(eu sei que o sangue jorrando
faz sentir a vida toda
e dá pra dançar assim
e sujar a pista inteira,
eu sei, eu sei)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

fail

isso mente sobre mim
porque não diz o meu
a-cada-momento

tem esse
aquele outro
e mais um bando que não veio

segunda-feira, 20 de junho de 2011

agora

ah!, eu quero o seu agora
e quero agora
e te quero agora

ei, lindinho

escrevi uma poesia pra você, juro,
mas deu uma vontade
grande grandona assim
de rasgá-la em pedacinhos.

depois, comê-la inteira,
fazer ela descer depois
por água abaixo do jeito
que ela deveria ser.

explodida

fazer poesia
devirando a raiva
e transtornados
derrubando cercas,
arrancando cabelos

tudo pelos ares,
também todos vocês.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

isso é uma metáfora

acho que o que tava fodendo minha barriga é que eu tava bebendo um café vencido. risos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

um despedir

respirar outros ares,
outras marias, outros joões.

desenhar outras
as silhuetas,
colocar outras asas.

mas bem assim, se no fim,
disso tudo,
feitos nós de espaços vazios,

vai lá,
fica assim, fica bem.

eu inteiro repleto,
repleto de nada.

um cantar

estamos cercados.
meu bem, estamos fadados.
nosso amor é uma baleia
morta
na areia.

estamos quebrados.
meu bem, estamos acabados.
nosso amor é uma tigresa
morta
sobre a mesa.

estamos tombados.
meu bem, estamos dourados.
nosso amor é uma poesia
morta
todo dia.


(Nota: A primeira estrofe é uma poesia de Lucas Figueiró, com métrica e pontuações alteradas)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

aditiva à incansável

que no fim dos tempos caia
uma chuva de papel colorido
em formato de flores

chuvinha de papel colorido incansável
e redentora

e seremos vingados
e vingadores.

e supremos.

uma incansável

o mais fantástico das pipas é
nós
enchendo o céu de papéis coloridos

o mais fantástico delas é
nós
levando pedaços nossos pra voar

o mais fantástico das pipas é
nós
tomando o céu com papéis coloridos

o mais fantástico delas é
nós
guiando pedaços nossos pra voar

o mais fantástico das pipas é
nós
ao sabor do vento com papéis coloridos

o mais fantástico delas é
nós
pra voar

uma dialógica

a: casa
b: amor
a: urina
b: fezes
a: cu
b: sexo
a: madeira
b: cadeira
a: assento
b: chá
a: veneno
b: piano

esquizerdismos

sim, é sim, 
é todo mundo bem mais quadrado que eu, 
que escapo 
e derreto.

por uma pena

sua angústia ficou tão bonita em verso

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Três Passeios

Mortalmente azul, brilhante céu,
Levantaremos mãos choradas
E encantados,
Descarnados, apáticos olhos.

Contra o absurdamente grande,
mortalmente azul, brilhante céu,
levantar olhos encovados e apáticos,
desencantadas e desgastadas mãos.

Apático e mortal céu: Vamos,
levanta nossas azuis descarnadas mãos
e nosso desencanto de olhos e covas.




(Nota: As estrofes 1 e 2 são trechos de O Passeio, de Alfred Lichtenstein, em duas diferentes traduções)

tabaco para Morelli 66

Não sou nada.
Em partes, nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Tenho, em mim,
os sonhos do mundo todos,
e dele todo.

Retalhos e sangue, não,
nada nada nada,
em absoluto: nada.

(Se eu casasse com a filha
da minha lavadeira
talvez fosse feliz.)

No fundo,
já sabia que não se pode
que não se pode ir mais além
ir mais além não se pode
já sabia

que não se pode ir mais
mais além já sabia
que não se pode
no fundo

(i'd rather not
not to)

já sabia que não se pode ir mais
além
que não se pode,


(i'd rather
i'd rather
i'd rather)


além
não se pode
não se pode
não se pode
porque não.



(Nota: Utiliza-se de trechos de O Jogo da Amarelinha, capítulo 66 de Julio Cortázar e de Tabacaria de Álvaro de Campos)

reversões

e em música, que se faz com um sample um outro trabalho, ou com a melodia original em um outro ritmo, ou outra ênfase vocal, enfim: todo trabalho possível em cima de uma forma já pronta.

transverter isso para a poesia, devirando trechos em outros, recompondo de recortes arremedos enxertos traçados,

recompondo de novo, palavras que transtornadas em outras, versos que deslocamentos,
ritmícas que quebras
que novas cadências
que novas costuras.

com o cohen

"where are you golden boy, where is your famous golden touch?"

eae Morelli

"No fundo, já sabia que não se pode ir mais além, porque não existe."

de vinhos

achei que uma seria pouca pra mim
duas pouco pra gente
três suficiente

uma ainda não acabou
e já faz horas.

ficarão as outras
prontas pra outro dia

e eu danço.
danço só.
danço bem.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

atropelamentos

é essa a coisa pulsante dentro,
coisa devoradoradevorável,
quase que não se aguentando por um tudoaomesmotempoeumparticulardecadainstante
eaomesmotempo
coisacoisacoisa
coisacomocoisa
coisaquesócoisaemoutracoisacomoutracoisacomcoisa
comocoisacomo

contaminação

às vezes não sei o que fazer direito com essa explosão em mim de possibilidades. então eu fico meio rindo sem saber mesmo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

resposta ao altinho

ah sim, pois bem. é que a sonolência é o limiar de ultrapassar uma fronteira. e o cansaço mental, de outra. a primeira fronteira é obviamente o terreno do sonho do sonho e do delírio. a segunda seria a da desordenação dos critérios regulares de associações - com ênfase nos princípios de contiguidade, semelhança e causalidade - pensar depois com que preponderância de qual e como - pendendo também para um estado similar ao do delírio.

altinho

em que o cansaço mental e na sonolência faz lembrar o estar bêbado?

sábado, 4 de junho de 2011

opa

tudo quanto vivo
é tão pungente
tanto ardente
tanto gritente

mais uns milhões de
meios de caminh
assim pelas
meta
des

opa
aos
poucos

como ela
talvez diria
se lesse
se não
às vezes
nos

quinta-feira, 2 de junho de 2011

desavisando-se

nem foi bem
eu que te fiz, bem.

bem, bem, foi você que me fez.
e fez bem.
(e me fez bem, bem)

nem queria,
nem sabia,
eu ou tu,

e, bem,

viva.

viva bem.
viva, bem.

um feijãozinho

que só preciso
pra crescer de umidade
e algodão

um brevíssimo de palavras/temas regulares pt. 1

unha/mão
magia/feitiçaria
brincadeira/infância
mar/oceano

da vida

hoje eu aprendi que acordar com uma furadeira do lado da janela pode ser legal!

(na entonação do vídeo do havaianas de pau, a respeito do corinthians e da culpa,

mas sem o clima de zoação. a parada é séria.

mas a deixar bem claro: que nada seja sério, traquinagem.)

terça-feira, 31 de maio de 2011

é couro

se bem meto nos pés um sapato,
fica mais fácil
de andar por aí

sem foder o pé
nos pregos
desse caminho.

caminhozinho esse, viu?
quanta ferrugem, diacho.

que tanto de chuva
nessa terrinha ingrata
que não adiantou nadinha.

pois bem meti os pés num sapato
e pelas mãos.

furos na sola
ou calcanhar em carne-viva?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

na hora de dançar

tem hora que
tonto fico e a coroa
cai
louca
no chão

rufante

tentando deixar
com que fique verde
e quase ao natural.

porém importante dizer:
quase

Eu já vi o cinza,
eu já o tive
e foi na boca.

tentando deixar
com que fique
verde.
que fique verde.

preciso esse trajado,
eis o traçado,
é preciso uns aparos,
repare bem,

mas que não há nada
exceto
querer verde.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

hermenêuticas oníricas quasi-lúdicas

as aranhas em
teias,
que desvios...

as pessoas em
quadras,
que ourivesarias....

(o ouro que eu me dei
retomado em sinais de trânsito
que ao piscar desordenados
só me disseram algo
quanto inventei
que assim eles faziam)

(mas que artifício!,
e o bobo-da-corte existe
pra nos lembrar)

a amada em
negativo,
que trapaça...

a odisséia em
sonho,
que farsa...

(tudo traquinagem, menino,
traquinagem e tudo)

(e os caminhos
menos
movimentados,

...

podem ser atalhos,
sim sim.

sim, claro.
nada de lobo-mau pra você.
sim, claro.)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

veritá

a necessidade de uma existência
que vá pros terrenos de
tudo-é-possível
&
vamos-brincar
mais constantes
e
mais fortes

sábado, 2 de abril de 2011

domingo, 27 de março de 2011

nunca tão só

o sarcasmo saiu correndo de meus versos
e fiquei com a miséria, velha irmã.
como vai, querida?

terça-feira, 22 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

negando "eu e minha poesia"

a não ser quando calha de uma gira vir.

eu e minha poesia

sem entregas, um pouco me debatendo sempre.

isso não é um cachimbo, definitivamente

ofereço-me um crisântemo
pra celebrar a crise.
que mais a fazer?

até logo, bonita

despachei a prosa dentro do
último trem com partida para
conchinchina

tímida & resignada
com os olhos baixos
não disse uma palavra

mandou um beijinho pela janela
pra coroar com flores
os momentos felizes

eu retribuí mas
só porque sou
um cara dos mais sujos

quinta-feira, 17 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

isso aqui na mão eu uso pra sonhar

sobre um livro

quer-se

me apaixonar por você me faz parecer que pode acontecer alguma coisa na minha vida.
simplesmente um pode grandão.
as probabilidades.
certeiro o lúcio cardoso nessa. quem mais já disse isso?
sei lá.
sigamos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

as incongruências

a coisa mais sacana de fotografias é o seu potencial de eternizar um possivelmente passageiro momento que depois pode ser jogado na cara como cruz a carregar.

c'est la vie ou pra uma cena de filme, mas de uns três ou quatro jeitos

arremessar o cigarro pela janela e só imaginar onde ele vai parar

quinta-feira, 3 de março de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

do que rayuela me deu longe do céu

era uma questão de alguém pra fazer poesia junto, e pernas pra botar a mão no meio no meio da noite.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

o problema do dedinho do pé

estamos volta e meia nos debatendo nas mesmas quinas de nós mesmos. evitando, várias vezes, acho que foi a última e tal e coisa, se jurando até. mas aí, acontece novamente, novamente estourando o pé de dor.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

operações

com sutura e bisturi, de uma frase só como base, e mais um bando de outras a serem enxertadas, dá pra desenvolver todo um corpo. como que um tema que sustente uma sinfonia.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

um post gay

a torre eiffel, ontem, eu a vendo do topo do pompidou. ela tava toda pirilampa, toda veada purpurinada. sem vergonha!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

madrugadas

a beleza delas são as horas ao bel-prazer a serem desenvoltas e revolvidas. quantos pessoas que não.

domingo, 23 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

daqueles tempos

aí a angústia doeu na minha barriga, e eu me mexi pro lado bem rapidamente, como se fosse pra desviar dela e rebater, tipo em pingue-pongue.

por óbvio

que meu reflexo me inquieta e a rir disso.

tomai

havia notado em meados do quase meio de setembro que os ipês amarelos em flor estavam desbotando, secando e tombando. pensado que queria já ter tirado fotos deles. quase chateado por não, mas aí que ano que vem tem outra chance. se morrer antes, de boa: os olhos os tiveram melhor.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

aquarela

era um anjo de asas negras. moleque ninguém brincava com ele naquele céu sem máculas.

e deus ficava de olhos fechados, que gostava de pensar a si e as suas coisas como perfeitas.

quase que me esqueço

se remexer pra versar faz doer., (é igualinho revolver as tripas).