sábado, 25 de junho de 2011

sensação de maratona

a mim veio
o que era
tornar a angústia sublime

e da dor
trair
traçar
a vitória

(eu sei desse arrancar
desse arrancar
desse arrancar
de casca de ferida

sei também que ele é
que ele é
que ele é
um jeito de viver melhor)

(eu sei que o sangue jorrando
faz sentir a vida toda
e dá pra dançar assim
e sujar a pista inteira,
eu sei, eu sei)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

fail

isso mente sobre mim
porque não diz o meu
a-cada-momento

tem esse
aquele outro
e mais um bando que não veio

segunda-feira, 20 de junho de 2011

agora

ah!, eu quero o seu agora
e quero agora
e te quero agora

ei, lindinho

escrevi uma poesia pra você, juro,
mas deu uma vontade
grande grandona assim
de rasgá-la em pedacinhos.

depois, comê-la inteira,
fazer ela descer depois
por água abaixo do jeito
que ela deveria ser.

explodida

fazer poesia
devirando a raiva
e transtornados
derrubando cercas,
arrancando cabelos

tudo pelos ares,
também todos vocês.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

isso é uma metáfora

acho que o que tava fodendo minha barriga é que eu tava bebendo um café vencido. risos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

um despedir

respirar outros ares,
outras marias, outros joões.

desenhar outras
as silhuetas,
colocar outras asas.

mas bem assim, se no fim,
disso tudo,
feitos nós de espaços vazios,

vai lá,
fica assim, fica bem.

eu inteiro repleto,
repleto de nada.

um cantar

estamos cercados.
meu bem, estamos fadados.
nosso amor é uma baleia
morta
na areia.

estamos quebrados.
meu bem, estamos acabados.
nosso amor é uma tigresa
morta
sobre a mesa.

estamos tombados.
meu bem, estamos dourados.
nosso amor é uma poesia
morta
todo dia.


(Nota: A primeira estrofe é uma poesia de Lucas Figueiró, com métrica e pontuações alteradas)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

aditiva à incansável

que no fim dos tempos caia
uma chuva de papel colorido
em formato de flores

chuvinha de papel colorido incansável
e redentora

e seremos vingados
e vingadores.

e supremos.

uma incansável

o mais fantástico das pipas é
nós
enchendo o céu de papéis coloridos

o mais fantástico delas é
nós
levando pedaços nossos pra voar

o mais fantástico das pipas é
nós
tomando o céu com papéis coloridos

o mais fantástico delas é
nós
guiando pedaços nossos pra voar

o mais fantástico das pipas é
nós
ao sabor do vento com papéis coloridos

o mais fantástico delas é
nós
pra voar

uma dialógica

a: casa
b: amor
a: urina
b: fezes
a: cu
b: sexo
a: madeira
b: cadeira
a: assento
b: chá
a: veneno
b: piano

esquizerdismos

sim, é sim, 
é todo mundo bem mais quadrado que eu, 
que escapo 
e derreto.

por uma pena

sua angústia ficou tão bonita em verso

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Três Passeios

Mortalmente azul, brilhante céu,
Levantaremos mãos choradas
E encantados,
Descarnados, apáticos olhos.

Contra o absurdamente grande,
mortalmente azul, brilhante céu,
levantar olhos encovados e apáticos,
desencantadas e desgastadas mãos.

Apático e mortal céu: Vamos,
levanta nossas azuis descarnadas mãos
e nosso desencanto de olhos e covas.




(Nota: As estrofes 1 e 2 são trechos de O Passeio, de Alfred Lichtenstein, em duas diferentes traduções)

tabaco para Morelli 66

Não sou nada.
Em partes, nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Tenho, em mim,
os sonhos do mundo todos,
e dele todo.

Retalhos e sangue, não,
nada nada nada,
em absoluto: nada.

(Se eu casasse com a filha
da minha lavadeira
talvez fosse feliz.)

No fundo,
já sabia que não se pode
que não se pode ir mais além
ir mais além não se pode
já sabia

que não se pode ir mais
mais além já sabia
que não se pode
no fundo

(i'd rather not
not to)

já sabia que não se pode ir mais
além
que não se pode,


(i'd rather
i'd rather
i'd rather)


além
não se pode
não se pode
não se pode
porque não.



(Nota: Utiliza-se de trechos de O Jogo da Amarelinha, capítulo 66 de Julio Cortázar e de Tabacaria de Álvaro de Campos)

reversões

e em música, que se faz com um sample um outro trabalho, ou com a melodia original em um outro ritmo, ou outra ênfase vocal, enfim: todo trabalho possível em cima de uma forma já pronta.

transverter isso para a poesia, devirando trechos em outros, recompondo de recortes arremedos enxertos traçados,

recompondo de novo, palavras que transtornadas em outras, versos que deslocamentos,
ritmícas que quebras
que novas cadências
que novas costuras.

com o cohen

"where are you golden boy, where is your famous golden touch?"

eae Morelli

"No fundo, já sabia que não se pode ir mais além, porque não existe."

de vinhos

achei que uma seria pouca pra mim
duas pouco pra gente
três suficiente

uma ainda não acabou
e já faz horas.

ficarão as outras
prontas pra outro dia

e eu danço.
danço só.
danço bem.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

atropelamentos

é essa a coisa pulsante dentro,
coisa devoradoradevorável,
quase que não se aguentando por um tudoaomesmotempoeumparticulardecadainstante
eaomesmotempo
coisacoisacoisa
coisacomocoisa
coisaquesócoisaemoutracoisacomoutracoisacomcoisa
comocoisacomo

contaminação

às vezes não sei o que fazer direito com essa explosão em mim de possibilidades. então eu fico meio rindo sem saber mesmo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

resposta ao altinho

ah sim, pois bem. é que a sonolência é o limiar de ultrapassar uma fronteira. e o cansaço mental, de outra. a primeira fronteira é obviamente o terreno do sonho do sonho e do delírio. a segunda seria a da desordenação dos critérios regulares de associações - com ênfase nos princípios de contiguidade, semelhança e causalidade - pensar depois com que preponderância de qual e como - pendendo também para um estado similar ao do delírio.

altinho

em que o cansaço mental e na sonolência faz lembrar o estar bêbado?

sábado, 4 de junho de 2011

opa

tudo quanto vivo
é tão pungente
tanto ardente
tanto gritente

mais uns milhões de
meios de caminh
assim pelas
meta
des

opa
aos
poucos

como ela
talvez diria
se lesse
se não
às vezes
nos

quinta-feira, 2 de junho de 2011

desavisando-se

nem foi bem
eu que te fiz, bem.

bem, bem, foi você que me fez.
e fez bem.
(e me fez bem, bem)

nem queria,
nem sabia,
eu ou tu,

e, bem,

viva.

viva bem.
viva, bem.

um feijãozinho

que só preciso
pra crescer de umidade
e algodão

um brevíssimo de palavras/temas regulares pt. 1

unha/mão
magia/feitiçaria
brincadeira/infância
mar/oceano

da vida

hoje eu aprendi que acordar com uma furadeira do lado da janela pode ser legal!

(na entonação do vídeo do havaianas de pau, a respeito do corinthians e da culpa,

mas sem o clima de zoação. a parada é séria.

mas a deixar bem claro: que nada seja sério, traquinagem.)