terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Casulo, de Björk, traduzido por mim

Quem poderia saber
Que um garoto como ele
Poderia entrar assim de leve
Restaurando minhas alegrias

Quem poderia saber
Que um garoto como ele
Após compartilhar meu íntimo
Poderia ficar aqui sem se ir

Quem poderia saber
Uma beleza tão grande
Quem poderia saber
Santificado transe
Quem poderia saber
Respiros de milagre
Inspirar uma barba
Carregado de coragem

Quem poderia saber
Que um garoto como ele
Possuído de mágica
Sensibilidade
Que chegaria a uma garota como eu
Que embala cuidados na cabeça dele
Nos seios dela 

E ele desliza adentro
Meio acordado, meio adormecido
Desmaiamos de volta
À sonolência
E quando acordo
Pela segunda vez
Nos braços dele
Maravilhosidade
Ele ainda está dentro de mim

Quem poderia saber
Quem aaah
Quem poderia saber

Um trem de pérolas
Cabine por cabine
Atirado precisamente
Através de um oceano

De uma boca
De uma
Da boca
De uma garota como eu
Para um garoto
Para um garoto
Para um garoto

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

c'est un drôle de chemin

a caminhada dói
mói, cói, rói,
e ainda assim queremos caminhar

a caminhada traz rosas,
espinhos, a caminhada é tão só,
tão só caminho, nunca só,
nunca só,

as pegadas
pela praia
pegadinhas
e paragens:

os cilícios,
as flores,
as rosas,
desabrochares, desabroches.

aquele lance lá do sobre você do face até 2013 - 25 dez.

repito resistente e reticente que o dialogar de maremotos poderia virar canção.

repito resistente e reticente que o dialogar de maremotos poderia virar canção.

domingo, 22 de dezembro de 2013

sábado, 21 de dezembro de 2013

domingo, 15 de dezembro de 2013

realizar

experimento conversas livres


yayoi kusama, i'd love to help you

as camadas da experiência tem mesmo todos esse níveis de escroto, intenso, amarelo grená. as camadas da experiência vão mesmo pros ramos da loucura. as letras buscam se encaixar no meio da escrita como furos, pois que é tão difícil tentar cristalizar tudo., a luz de cada um explode. você já sacou qual é seu rolê? caso não, cola em mim, que será nóis dois. a gente saca a porrra do sacarrolha, estoura a garrafa de vinho, e delira juntinho,. ressoarão os sinos, a gente se comunica, e cada um compartilha seu pedaço. posso ser teu cristinho vivo um pouco, linda, caso queira. sei lá do que precisa. mas me ofereço assim, em holocausto, fácil fácil. tenho certeza que vai valer a pena. se quiser me ligar, 61-81303513. beijos

exploda, luz, exploda

a necessidade de fazer o elemento fogo explodir por todos os cantos
pipocar como raios de luz, quasares,
pipocar como dança em convulsão louca,

pipocar como pipoca na panela oferecida pro santo,

que só pipoque, que estoure, que adormeça,
que no fim de tudo, faça só canção de ninar,

que no final de tudo, faça só, tão só, canção de ninar

just a half

vivencia, vivencia a tua necessidade até que exploda!

de preferência, em fogos de luz coloridos, fogos fátuos, pirilampos

"a felicidade sempre ofende"

e quando você começa a duvidar da luz pelo quanto ela força o olho do outro a enxergar direito? ou o seu próprio ele/olho?

lembrando que a trave

está lá, tu não vê

trânsitos

e oxalá
oba lá
e balayé

obalayé

as coisas só são sujas ou limpas na medida do quanto você interage com elas

sábado, 14 de dezembro de 2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

after Juliana Huxtable

frankenstein profeta craftsqueer postspiritualist

uma figura

o observador de frestas, que devassa os lados de lá e percebe as conexões subjacentes que já diabos estão lá, que a porra da matéria original veio do mesmo ponto

aquele

adoro me pegar com deleuze na prática cotidiana

chamar as coisas pelos nomes certos

e o desejo de dominação deriva da insegurança, e poder e dominação não são sinônimos. saber aqui chamar as coisas pelos nomes certos.

a partir de "Qual é o nosso projeto político para o gênero?"

o problema pode ser parece ser talvez seja o quanto buscamos tolher nossa experiência como humanos e como o medo se torna a faca para estripar o pedaço de pele que tocou o estranho, porque de repente ele poderia virar um câncer, te fazer perder saúde, deixar de ser quisto, amado, interessante, e tal e coisa. só sinto dó.
"cyborg cunt priestess witch nuwaubian princess."


from: http://www.policymic.com/articles/72699/16-beautiful-portraits-of-humans-who-happen-to-be-trans

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

localis/populus

de goiás
do df
do rn
de minas
da ibéria
das arabias dos mouros
dos romanos
das origens celticas
dos hebreus
dos babilonios



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

umas diferenças

o que queria ser, o que podia ser, o que tentara ser, o que acreditara ser, o que era de fato, o para onde ainda rumaria o ser ruminando e caminhando com vela na mão e tentando beijar judas na boca

domingo, 1 de dezembro de 2013

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

é o desfazer do humano

é o desfazer do humano
tudo aquilo chá e abandono, rapaz!
pois que não estou em idade de procriar
estou trancado num cubo
aí que não abro, não abro a cartinha, não
quão doce será a queda!
leviatã, cravo, roseira, cravo, fundo
ver pontas e criar contornos

o que amor na arte

dá vontade de olhar
eu te lambo
eu não sou uma voz que canta
lá do outro lado do mar
agrotoxina, sexo grupal,
eu quero foder uma puta, viver uma experiência diferente,
afundada de chá e abandono
o que amor na arte

sustenido de um pégaso

cristais vermelhos radiantes
em uma coroa doirada que concederia
o poder de alguma habilidade

que pro mundo, hoje, é inútil,
as asas do rapaz quebrando
desvios de frestas

socorram o segredo
a noite dança a louca dança
ninguém escuta nada com essa balbúrdia toda

sinceros os segredos do rapaz
e sua faca prateada com
gume doirado e antigo

deixo que a peça que sobre
de um quebra-cabeça exploda-me-em
desencaixe assim

guisado de desejos das corujas
e dos sapos
coaxam longe ninguém escuta é tanto som

e ao entrar na sala
haverá um espelho
que você não verá

terça-feira, 19 de novembro de 2013

de cinco do onze de doismilesseis

dá vontade de olhar mais 
coisas por frestas, 
por pequenos orifícios, 
ver pedaços e imaginar as continuações, 
ver pontas e criar contornos.

domingo, 17 de novembro de 2013

período

eu te lambo,
tu me enlaças com as pernas
e conta uma história antiga

você escondida entre as cortinas
da casa da sua avó que cheirava a verão

eu te lambo e você geme abafado
e pede que eu vá com calma, que você
já tomou banho

nós corríamos pela praia, era fim de tarde,
e no fundo da tela levantava um monstro marinho
como um leviatã

eu te lambo até fogos de artifício
explodirem embaixo da sua pele e dentro
da tua cabeça e nos teus olhos e te fazerem tremer

fez uma coleção com todas as canções que amanhecem
e espalhou folhas secas pela casa inteira e fez questão de
ter tomado chá de camomila antes de me beijar para que
os gostos e também havia acendido incenso

eu te lambo e flutuas nas nuvens flutuamos
juntos os dois nas nuvens e giramos também
nas nuvens e nas nuvens giramos eternos dourados lavanda

eu te lambo, somos roseiras,
eu te lambo, te cravo, você leviatã,
eu leviatã, inferno de nós, roseiras, espinhos, lambo,
leviatã, cravo, roseira, cravo, fundo

eu que não que sou que da que eu

eu não sou uma voz que canta
eu sou um espelho quebrado
eu sou um zumbido chato acima
enquanto você tenta dormir
tenta dormir
tenta dormir

o vento que sopra da janela traz ares romanos
eu nunca fui imperador
eu nunca fui cavalo
eu já tomei banhos de sauna, um hoje, inclusive

espetáculo
na praça pública
defronte ao terceiro tabelionato
duelo pelo coração da donzela

ela, telúrica,
começa a se desfazer em minha frente
como o vento que sopra a janela e traz
romanos pelos ares e coroas de imperadores
e bosta de cavalo e de homens

que só sou uma voz que canta
que tromba
que chicoteia
que alopra, que galopeia, que serpenteia,

que amansa as tempestades e dança
com ninfas e estrelas pelos ares
e gira, e à medida que gira mais rápido, grita

quão doce será a queda!
quão doce será a queda!
quão doce será a queda!

sábado, 16 de novembro de 2013

a cartinha

lá do outro lado do mar
do outro lado do atlântico
lá do outro lado, é bem longe, o outro lado

jogam uma cartinha e que fecho a janela
antes que ela entre, a cartinha,

que conte de vinho, cerveja, becos escuros,
exposições, talvez happenings, que conte de tudo,
e não mencione o negror das quartas-feiras,
e das sextas, primeiras, últimas, todas, feiras,

aí que não abro, não abro a cartinha, não

violeta olha para mim

agrotoxina, sexo grupal,
o céu está virado do avesso e está gotejando
na cama do hotel que virou piscina ácida
eu, jogado no canto, miro tudo deliro,

violeta olha para mim e diz
que quer trancar a experiência humana num cubo
e eu olho para ela e digo
que ela não pode trancar a experiência humana num cubo

violeta diz que tudo bem,
mas vejo que não está tudo bem,
e, quando acordo,
estou trancado num cubo

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

la puta madre eterna

eu quero foder uma puta, viver uma experiência diferente,
ver a pele da boceta dela indo e voltando no meu pau,
como que devorando meu pau,
mamar-lhe as tetas como que tirando leite e sangue
voltar a experiência primordial com a grande mulher
a grande parideira
e intentar fecundá-la mas serei barrado, é claro,
pois que não estou em idade procriar

terça-feira, 5 de novembro de 2013

sra. judite

afundada de chá e abandono
a sra. judite recostou no fundo da poltrona
e declamou seu mantra diário como quem pedia perdão

não lembro bem o que era, mas bem,
não importa mais, sra. judite hoje está morta,
lembro dela gritando putaria no fim de tudo

tão plácida, com sua manta, e de repente mandava um
putaqueopariu de boca cheia mesmo, sabe como?
tudo aquilo chá e abandono, rapaz!

o que eu amo na arte, vs 2

o que amor na arte
é o desfazer do humano

minha mãe diria

quantos fumados
para um fundo de tela meio fálico
e umas meia palavras jogadas


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

pode matá-la, ela é um zumbi

Os pássaros são o crime da realidade

Pele minha, que demasiado porosa és tu!
E como me põe em apuros pois que
Apenas um simples toque e já contaminada, tonta,
a realidade toda como sapo venenoso e minha pele exposta,

Camaleão sem rumo controle,
sem cuidado, sem reverência alguma pois que pele
é feita mesmo para furar, para fundir em pele nova,

Sou Judite, sou feita de serpente, sou aranha que troca a casca,
sou estudo de composição, o inacabado e o perene, castelinho
de areia na beira do mar, folhas secas espalhadas no chão,

Ao redor do caminho eu caminho o caminho e sigo,
e jogo as migalhas mil elas certa pelo chão de que terei regresso que serão
meu fio de ariadne, retornar pelo labirinto mas os pássaros

Mas os pássaros
Cuidado!

Mas os pássaros!
Os pássaros são

Os pássaros são o crime da realidade

Os pássaros são armas apontadas
Os pássaros são armas apontadas em testas e em gargantas

instruções para se limpar após um ataque de gás

1. Despir-se.
2. Limpe a pele  (Utilize algodão ou papel absorvente.)
3. Aplique solvente (benzeno, óleo ou álcool).
4. Esterilizar. (Aplicar hipoclorito de cálcio).
5. Lavar bem com sabão. (Descartar a máscara após a lavagem.) Descontaminar com água, se nenhum medicamento estiver disponível.
6. Lavar os olhos  e colocar roupas limpas.
7. Para pulmões envenenados ... 
solução de 2% de bicarbonato de sódio / água 
máscara de gaze

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

sábado, 19 de outubro de 2013

eu ocupei

eu passo o dia
olhando o tempo
eu vi um filme
eu ocupei
eu andei até o mc donalds
eu estou fumando tanta maconha
eu bati tanta punheta
eu me forço a escrever
eu preciso de um gravador
será mais prático
a maconha sempre acaba
tudo sempre acaba

eu ocupei a reitoria
eu fui à frente do congresso
eu fui a frente do desfile da escola de samba
eu sou o samba
ritmado
sincopado
torto
quebrado
dobrando

eu sou o samba
amarelo
esmaecido
roto
carcomido
amarrotado
pisado & vomitado

quantos são pedaços de amanhã
e quantos são meros dejetos?

eu vi o azul alaranjado do céu
colorir o céu todo e as vistas
e quem teve essa marca
há de gritar belezas bem alto

há de arroubar belezas mundo afora,
avoá-las, subvertê-las, debulhá-las,
tirar-lhes as pétalas uma a uma,
macerá-las, e soprá-las ao vento sob

noite de lua
branca
intensa
plena

noite de lua filha da puta
que remonta ao branco do olho
avermelheado alheado de um outro filho
da puta

eu ocupei o vazio
ele entrou, saiu, eu inteiro tomado,
eu revelo pelas frestas, eu clavo,
eu me movo pelos cantos

escorrego, resfolego,
abandono,
tornado, vendaval,
assombro

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

conluios

Eu sou a viagem de ácido
nos barcos da noite
Eu sou o garoto que se masturba
na montanha
Eu sou o tecno pagão

Eu sou o tenebroso, - o viúvo, - o inconsolado
Príncipe d'Aquitânia, em triste rebeldia:
É morta a minha estrêla, - e no meu constelado
Ataúde há o negror, sol da melancolia.

Eu sou o seu sacrifício;
A placa de contra-mão;
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Voltei a fazê-lo.
Uma vez em cada dez anos
Lá consigo -

Voltei a fazê-lo.
Uma vez em cada dez anos
Consigo-o –

Eu o fiz de novo
Um ano em cada dez
Eu agüento

A vós
- barítonos redondos -
cuja voz
desde Adão até à nossa era
nos atros buracos chamados teatros
estronda o ribombo líricos das árias.

A vós
- pintores -
cavalos cevados,
rumino-relinchante galardão eslavo,
no fundo dos estúdios, cediços como dragos,
pintando anatomias e quadros de flores.

A vós
rugas na testa entre fólios de mística
- micro-futuristas
  -imagistas,
  -acmeístas,
emaranhados no aranhol das rimas.

Eu vi
Um vivo
Sol
Ou tom no
Outono
Só no
Sono
Azul.
Enquanto
Do canto
Dos teus calcanhares
Calcas os ares
Para o novelo
Da nebulosa,
Teu cotovelo
Em ângulo alvo
Alteando aos lábios.
Abril,
Abrir
A voz
Às provas
De
Deus.
Consonha
Em vôo
Aberto
O abeto,
Colhe os
Olhos
Azuis
Com os laços
Das sobrancelhas
E dos pássaros
Cerúleos.
No anil
Há mil.

(piva)
(nerval)
(coelho)
(pessoa)
(plath)
(maiaka)
(sem titulo, klebhnikov)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

certo

imagina, eu agora, morando em nova york e ouvindo of montreal e olhando pela janela com meu amigo gay, o todd, e vamos a uma discoteca agorinha, e moro num apê que é perto de uma praça que tem um parque, e tem um starbucks, vício total, mas tô juntando uma grana para dar um pulo na europa, então diminuí o ritmo, e tem uma escadinha no meu prédio e é tipo aquele de tijolinhos, e estou descolando um trampo para os finais de semana, numa galeriazinha, e eu trampo num café também, e estou estudando, e tô com um projeto de fotomontagens e pinturas com uma guria suíça que tô travando amizade, e cuido de uma planta em casa

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

já que isso aqui é só uma putaria de um diário mesmo

tonight is the night

aprendizido

não evita a necessidade não
sente ela
pra depois matar a vontade de aliviá-la

uma nota mental qualquer

fonemas são como magias

que seja, seja

só faz ser
aquilo lá que tu quer que seja
seja

só faz escoar de ti a magia
faz ela estourar os diques
e derramar pela sala

faz brotar flores
das que busquem o sol
e cataventos
dos que vão com a brisa

que teus poros busquem o sol, e vão com a brisa,
busquem o sol, e vão com a brisa,
busquem o sol, e vão com a brisa,

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

domingo, 21 de julho de 2013

esthetica thesis poesis

poesias que soem como suspiros e como confissões

definitivamente

eu preciso fazer isso mais vezes

backstreet boys sobre o amor

vida, meu cu pra você, eu sou maior que você

e pra não perder o costume

transformada
transtornada
trans tornada
tornadeando formas
trans formada

a fórmula

deh-shih-boh

passar uns dias sem e depois voltar a

é o mundo que é doido,
são as coisas que acontecem comigo que são doidas

pais

esses filhas da puta que amamos!

contextos

eu realmente quero muito morrer, mas é bom estar aqui agora

sim

às vezes eu curto assustar as pessoas

é, sei, claro

luz e túnel e tal

quinta-feira, 20 de junho de 2013

sábado, 26 de janeiro de 2013

fato

que estranha essa coisa na barriga. esse incômodo que tô revolvendo ao olhar fotos velhas... e que eu quero registrar porque... quero.

fato: fazia um tempo que eu não sentia um mistério em mim. fazia um tempo.