segunda-feira, 21 de outubro de 2013

sábado, 19 de outubro de 2013

eu ocupei

eu passo o dia
olhando o tempo
eu vi um filme
eu ocupei
eu andei até o mc donalds
eu estou fumando tanta maconha
eu bati tanta punheta
eu me forço a escrever
eu preciso de um gravador
será mais prático
a maconha sempre acaba
tudo sempre acaba

eu ocupei a reitoria
eu fui à frente do congresso
eu fui a frente do desfile da escola de samba
eu sou o samba
ritmado
sincopado
torto
quebrado
dobrando

eu sou o samba
amarelo
esmaecido
roto
carcomido
amarrotado
pisado & vomitado

quantos são pedaços de amanhã
e quantos são meros dejetos?

eu vi o azul alaranjado do céu
colorir o céu todo e as vistas
e quem teve essa marca
há de gritar belezas bem alto

há de arroubar belezas mundo afora,
avoá-las, subvertê-las, debulhá-las,
tirar-lhes as pétalas uma a uma,
macerá-las, e soprá-las ao vento sob

noite de lua
branca
intensa
plena

noite de lua filha da puta
que remonta ao branco do olho
avermelheado alheado de um outro filho
da puta

eu ocupei o vazio
ele entrou, saiu, eu inteiro tomado,
eu revelo pelas frestas, eu clavo,
eu me movo pelos cantos

escorrego, resfolego,
abandono,
tornado, vendaval,
assombro

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

conluios

Eu sou a viagem de ácido
nos barcos da noite
Eu sou o garoto que se masturba
na montanha
Eu sou o tecno pagão

Eu sou o tenebroso, - o viúvo, - o inconsolado
Príncipe d'Aquitânia, em triste rebeldia:
É morta a minha estrêla, - e no meu constelado
Ataúde há o negror, sol da melancolia.

Eu sou o seu sacrifício;
A placa de contra-mão;
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Voltei a fazê-lo.
Uma vez em cada dez anos
Lá consigo -

Voltei a fazê-lo.
Uma vez em cada dez anos
Consigo-o –

Eu o fiz de novo
Um ano em cada dez
Eu agüento

A vós
- barítonos redondos -
cuja voz
desde Adão até à nossa era
nos atros buracos chamados teatros
estronda o ribombo líricos das árias.

A vós
- pintores -
cavalos cevados,
rumino-relinchante galardão eslavo,
no fundo dos estúdios, cediços como dragos,
pintando anatomias e quadros de flores.

A vós
rugas na testa entre fólios de mística
- micro-futuristas
  -imagistas,
  -acmeístas,
emaranhados no aranhol das rimas.

Eu vi
Um vivo
Sol
Ou tom no
Outono
Só no
Sono
Azul.
Enquanto
Do canto
Dos teus calcanhares
Calcas os ares
Para o novelo
Da nebulosa,
Teu cotovelo
Em ângulo alvo
Alteando aos lábios.
Abril,
Abrir
A voz
Às provas
De
Deus.
Consonha
Em vôo
Aberto
O abeto,
Colhe os
Olhos
Azuis
Com os laços
Das sobrancelhas
E dos pássaros
Cerúleos.
No anil
Há mil.

(piva)
(nerval)
(coelho)
(pessoa)
(plath)
(maiaka)
(sem titulo, klebhnikov)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

certo

imagina, eu agora, morando em nova york e ouvindo of montreal e olhando pela janela com meu amigo gay, o todd, e vamos a uma discoteca agorinha, e moro num apê que é perto de uma praça que tem um parque, e tem um starbucks, vício total, mas tô juntando uma grana para dar um pulo na europa, então diminuí o ritmo, e tem uma escadinha no meu prédio e é tipo aquele de tijolinhos, e estou descolando um trampo para os finais de semana, numa galeriazinha, e eu trampo num café também, e estou estudando, e tô com um projeto de fotomontagens e pinturas com uma guria suíça que tô travando amizade, e cuido de uma planta em casa