quinta-feira, 21 de novembro de 2013

é o desfazer do humano

é o desfazer do humano
tudo aquilo chá e abandono, rapaz!
pois que não estou em idade de procriar
estou trancado num cubo
aí que não abro, não abro a cartinha, não
quão doce será a queda!
leviatã, cravo, roseira, cravo, fundo
ver pontas e criar contornos

o que amor na arte

dá vontade de olhar
eu te lambo
eu não sou uma voz que canta
lá do outro lado do mar
agrotoxina, sexo grupal,
eu quero foder uma puta, viver uma experiência diferente,
afundada de chá e abandono
o que amor na arte

sustenido de um pégaso

cristais vermelhos radiantes
em uma coroa doirada que concederia
o poder de alguma habilidade

que pro mundo, hoje, é inútil,
as asas do rapaz quebrando
desvios de frestas

socorram o segredo
a noite dança a louca dança
ninguém escuta nada com essa balbúrdia toda

sinceros os segredos do rapaz
e sua faca prateada com
gume doirado e antigo

deixo que a peça que sobre
de um quebra-cabeça exploda-me-em
desencaixe assim

guisado de desejos das corujas
e dos sapos
coaxam longe ninguém escuta é tanto som

e ao entrar na sala
haverá um espelho
que você não verá

terça-feira, 19 de novembro de 2013

de cinco do onze de doismilesseis

dá vontade de olhar mais 
coisas por frestas, 
por pequenos orifícios, 
ver pedaços e imaginar as continuações, 
ver pontas e criar contornos.

domingo, 17 de novembro de 2013

período

eu te lambo,
tu me enlaças com as pernas
e conta uma história antiga

você escondida entre as cortinas
da casa da sua avó que cheirava a verão

eu te lambo e você geme abafado
e pede que eu vá com calma, que você
já tomou banho

nós corríamos pela praia, era fim de tarde,
e no fundo da tela levantava um monstro marinho
como um leviatã

eu te lambo até fogos de artifício
explodirem embaixo da sua pele e dentro
da tua cabeça e nos teus olhos e te fazerem tremer

fez uma coleção com todas as canções que amanhecem
e espalhou folhas secas pela casa inteira e fez questão de
ter tomado chá de camomila antes de me beijar para que
os gostos e também havia acendido incenso

eu te lambo e flutuas nas nuvens flutuamos
juntos os dois nas nuvens e giramos também
nas nuvens e nas nuvens giramos eternos dourados lavanda

eu te lambo, somos roseiras,
eu te lambo, te cravo, você leviatã,
eu leviatã, inferno de nós, roseiras, espinhos, lambo,
leviatã, cravo, roseira, cravo, fundo

eu que não que sou que da que eu

eu não sou uma voz que canta
eu sou um espelho quebrado
eu sou um zumbido chato acima
enquanto você tenta dormir
tenta dormir
tenta dormir

o vento que sopra da janela traz ares romanos
eu nunca fui imperador
eu nunca fui cavalo
eu já tomei banhos de sauna, um hoje, inclusive

espetáculo
na praça pública
defronte ao terceiro tabelionato
duelo pelo coração da donzela

ela, telúrica,
começa a se desfazer em minha frente
como o vento que sopra a janela e traz
romanos pelos ares e coroas de imperadores
e bosta de cavalo e de homens

que só sou uma voz que canta
que tromba
que chicoteia
que alopra, que galopeia, que serpenteia,

que amansa as tempestades e dança
com ninfas e estrelas pelos ares
e gira, e à medida que gira mais rápido, grita

quão doce será a queda!
quão doce será a queda!
quão doce será a queda!

sábado, 16 de novembro de 2013

a cartinha

lá do outro lado do mar
do outro lado do atlântico
lá do outro lado, é bem longe, o outro lado

jogam uma cartinha e que fecho a janela
antes que ela entre, a cartinha,

que conte de vinho, cerveja, becos escuros,
exposições, talvez happenings, que conte de tudo,
e não mencione o negror das quartas-feiras,
e das sextas, primeiras, últimas, todas, feiras,

aí que não abro, não abro a cartinha, não

violeta olha para mim

agrotoxina, sexo grupal,
o céu está virado do avesso e está gotejando
na cama do hotel que virou piscina ácida
eu, jogado no canto, miro tudo deliro,

violeta olha para mim e diz
que quer trancar a experiência humana num cubo
e eu olho para ela e digo
que ela não pode trancar a experiência humana num cubo

violeta diz que tudo bem,
mas vejo que não está tudo bem,
e, quando acordo,
estou trancado num cubo

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

la puta madre eterna

eu quero foder uma puta, viver uma experiência diferente,
ver a pele da boceta dela indo e voltando no meu pau,
como que devorando meu pau,
mamar-lhe as tetas como que tirando leite e sangue
voltar a experiência primordial com a grande mulher
a grande parideira
e intentar fecundá-la mas serei barrado, é claro,
pois que não estou em idade procriar

terça-feira, 5 de novembro de 2013

sra. judite

afundada de chá e abandono
a sra. judite recostou no fundo da poltrona
e declamou seu mantra diário como quem pedia perdão

não lembro bem o que era, mas bem,
não importa mais, sra. judite hoje está morta,
lembro dela gritando putaria no fim de tudo

tão plácida, com sua manta, e de repente mandava um
putaqueopariu de boca cheia mesmo, sabe como?
tudo aquilo chá e abandono, rapaz!

o que eu amo na arte, vs 2

o que amor na arte
é o desfazer do humano

minha mãe diria

quantos fumados
para um fundo de tela meio fálico
e umas meia palavras jogadas


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

pode matá-la, ela é um zumbi

Os pássaros são o crime da realidade

Pele minha, que demasiado porosa és tu!
E como me põe em apuros pois que
Apenas um simples toque e já contaminada, tonta,
a realidade toda como sapo venenoso e minha pele exposta,

Camaleão sem rumo controle,
sem cuidado, sem reverência alguma pois que pele
é feita mesmo para furar, para fundir em pele nova,

Sou Judite, sou feita de serpente, sou aranha que troca a casca,
sou estudo de composição, o inacabado e o perene, castelinho
de areia na beira do mar, folhas secas espalhadas no chão,

Ao redor do caminho eu caminho o caminho e sigo,
e jogo as migalhas mil elas certa pelo chão de que terei regresso que serão
meu fio de ariadne, retornar pelo labirinto mas os pássaros

Mas os pássaros
Cuidado!

Mas os pássaros!
Os pássaros são

Os pássaros são o crime da realidade

Os pássaros são armas apontadas
Os pássaros são armas apontadas em testas e em gargantas

instruções para se limpar após um ataque de gás

1. Despir-se.
2. Limpe a pele  (Utilize algodão ou papel absorvente.)
3. Aplique solvente (benzeno, óleo ou álcool).
4. Esterilizar. (Aplicar hipoclorito de cálcio).
5. Lavar bem com sabão. (Descartar a máscara após a lavagem.) Descontaminar com água, se nenhum medicamento estiver disponível.
6. Lavar os olhos  e colocar roupas limpas.
7. Para pulmões envenenados ... 
solução de 2% de bicarbonato de sódio / água 
máscara de gaze