domingo, 17 de novembro de 2013

eu que não que sou que da que eu

eu não sou uma voz que canta
eu sou um espelho quebrado
eu sou um zumbido chato acima
enquanto você tenta dormir
tenta dormir
tenta dormir

o vento que sopra da janela traz ares romanos
eu nunca fui imperador
eu nunca fui cavalo
eu já tomei banhos de sauna, um hoje, inclusive

espetáculo
na praça pública
defronte ao terceiro tabelionato
duelo pelo coração da donzela

ela, telúrica,
começa a se desfazer em minha frente
como o vento que sopra a janela e traz
romanos pelos ares e coroas de imperadores
e bosta de cavalo e de homens

que só sou uma voz que canta
que tromba
que chicoteia
que alopra, que galopeia, que serpenteia,

que amansa as tempestades e dança
com ninfas e estrelas pelos ares
e gira, e à medida que gira mais rápido, grita

quão doce será a queda!
quão doce será a queda!
quão doce será a queda!

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