sábado, 31 de janeiro de 2015

for reverend green

faz derreter

"milonga" ou "e se parece que subo o morro em lombo de mula"

a milonga caiu como uma luva pro aniversário
que tinha uns temas tropicais, com trepadeiras,
papagaios, tucanos, siritacas, mariemas,
jude dança no meio da sala
seu impacto alcança o chão
estouros que não são amores
estouros que não são amores

e se parece que subo o morro em lombo de mula
enquanto sou a experiência de estar aqui
e surdo aos apelos das malamadas
e tonto ao toar das desgraçadas
tenho por questão o número de tons de bege
que poderia, porventura, encontrar neste chão

jude dança, e o nada,
jude dança, e o nada,
jude dança, e o nada,

quando fui um galo numa manhã assim!,
preciso, no instante, um galo num amanhã assim!
pra atormentar o dobrar dos sonos

jude dança, e o nada,
 e se parece que subo o morro em lombo de mula
e dois rapazes se pegam na sala
e uma doida vira uma garrafa de cerveja
- sorve, vida, tudo que puder pois o amanhã nada! -
nada de galo em manhã qualquer

e se os conservadores
tomarem o poder
a gente vai impedir

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

material romântico

eu te daria as preciosas gotas de meu sêmen
de manhã ou pela tarde
eu te contaria de como já amarrei uma meia no braço
pra simular uma munhequeira
e bem antes, eu com os meninos do prédio
emulando jesus cristo alto nos céus
e, um pouco depois, fantasiando
sentado nos azulejos,
ou ouvindo this is it, naquela ida de uma vez só a um clube aí,
qualquer banalidade que mascare um pouco o dia a dia
a existência
o tédio
e etc e tal.

Wanna tell ya that I love ya I need ya in the night
tomate e maluca andavam
loucos
pela cidade afora

ferlinghetti

Nas melhores cenas de Goya parece que vemos
monstros finais berrantes todos

canetas inexistentes

ai, lyanna que te pintaria em tintas com minhas canetas inexistentes
mas já é manhã e você não vem e é frio
e estás aqui e presente como presente é o instante
nos feios espelhos manchados da idade média

e foi feito o compartilhamento dos estupores
rasgados foram os movimentos, precisos,
histórias de bolas e de caras altos e baixos,
precisamente, um salto!, e é tudo que há

ai, lyanna que te pintaria em tintas com minhas canetas inexistentes
e as eras passam como inclementes como teseu frente a medusa
e nossos cabelos são cinzentos e os rumos caídos
dos feios amanheceres dessa era atômica

se me encontra, eu não sou,
se me encontra, eu já fui exceto enquanto
às cinco e sete precisamente
tento mais uma vez

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

a feiúra que foi num ir no desfile da ludyelen
"our names doesn't mean shit"
e se choro lagoas de lágrimas e me acolhem as mãos as flores do campo


antônio fagundes interpreta a morte nesta história
dançava no banheiro e pensava como seria fumá-lo eternamente
e imaginou o disparate que seria uma morte numa festa

adjunto

minha carne não é de carnaval
meu coração menos ainda, é tudo

não é só uma palavra

ódio

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Os Atropelos

"Elésias, me dê suas graças, buenasera!,
Questa, ragazzo! É com Ó! Com Ó!."
E me coloco
eu que aqui somente estando eu, sentado no sofá da sala,
Intuindo as regências de mundos desconexos
E, nas palavras, os tropeços
os atropelos
Rastelando a linguaragem da poetria
Pelos gramados e bosques eternais dos elíseos campos
Carruagem que vole pelo cieux
Deixando os pneus se soltarem
E no meio da úvula havia uma marca secreta
E no meio da úvula o amanhecer dos caminhos tontos
Nos subterrâneos dos dias, o sono
No segredo dos tempos, fumaça
Ela nasceu da tormenta, cabalgou dragões,
E me leva e me eleva entre nuvens rumo ao infinito

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

e na jaca

de que me arranco no arranque das horas, de que me desfaço, de quase me dispo, do desprezo pelos os-de-sempre?, do tédio da terapia?, dos malquereres revisited?, de viver o dia em prenúncio de, de aos atropelos, aos barrancos, botar pé ante pé, e na jaca

localis/populus revisited

de goiás
do df
do rn
de minas
do fundo do mato virgem
da ibéria
das arabias dos mouros
dos romanos
das origens celticas
dos hebreus
dos babilônios

as mãos abertas

é manhã, é tarde, é noite,
pensando em você
que me vem como um sonho ruim que assusta
e que ao mesmo tempo acalenta e amortece
as pancadas todas que eles têm me dado

mina de ouro veludo,
você me derrama feito a chuva,
e eu fico nova & pronta.

minha cesta cheia de amoras,
para que sofrer?
minha cesta cheia de amores,
brincando no mar e na areia

e então, faz tempo,
cada vez que acordo,
seja manhã, tarde, noite,
parece que estou mais distante.

terei que atravessar terras arrasadas
para encontrar
mais terras arrasadas

e eles não param de bater na porta
e a porta na minha cara
e também as mãos abertas

jogo de palavra, sofá da sala, madrugada do dia vintesseis

êxodo, hesíodo

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

a estátua e os trovões

no meio da sala a estátua aguardava os trovões que deixassem suas faces coloridas, porque a sala era toda penumbra, e na penumbra não vemos bem as cores.