quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

guache gauche caught (revisited)

tô entregue aos começos, aos avessos, aos perversos
belisquetes da recepção, da ré, da decepção, do sudário e da mesquita,
rabiola encantadora, já preparo a bassoura,
ui que dose! ui que dó!


tô entregue aos reversos, aos possessos, aos desconexos
desentendimentos da cota, do diano, do diáfano, do profano,
sopranino delicete, desenlace o cacete,
ai que tudo!, ai que uó!

o maior ato falho que vc conhece e vc respeita

contrato
sem erre
é contrato

alô alô grazadeusa
sumidouro miragem
harriette sobe na mesa e levanta a saia
caleidoscópio papagaio
grita o quão essa noite é um espetáculo
quase todo o vagão da aeronave
quando todos deixam o resto pra trás

toque uma canção bem alto
feita
de silêncios

não faz a menor diferença o que está
o que pode estar
o que está acontecendo

não me digas mentirinhas, dói demais, diz a poeta,
poderei um dia saber se isso é um alexandrino ou só um desvario
alguns flashes
quaisquer flashes
todos os flashes

do pingo pro balde
da cama pro túmulo
sente lá, sente cá, riem, choram

um desafio diferente
um delírio gostoso
um acontecimento
um lance




sabe como é?



hmmm
vc sabe como é














segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

o meu pedido final
não deixa o drama morrer
não deixa o drama acabar
o burguês foi feito de drama
drama pra gente dramar

sábado, 3 de dezembro de 2016

hinote à sabedoria

a mulher que carregava o touro nos braços
subia as escadas sabendo o que fazia
tão límpida lâmina que fere uma noite qualquer
e tinta de sangue o chão de pedras
cenográficas que é tudo farsa que é tudo mito
os entrances as entranhas as entrevas de cada um
num bolo de fiados e remendos e pontas duplas

anda pelo palco apenas em diagonais
gosta de colocar enigmas às personagens
tem um embate em que coloca como as forças do caos são prevalecentes
movimenta os braços em opostos, se põe muitas vezes agachado e anda assim
recita poemas


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

por um lado, por outro

bem (que) eu queria saber (se)
sou (eu) o que invento
a flor ou se ela
(já) está
(lá)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

quaisquer noites

monóxido de carbono, oh
Ande, oh, ande. Oh, ande, oh
Ande,
Acontecimentos negros
Da melhor cor
E variadas,
E sempre, de volta, a ela:
draga, buraco negro,
percevejo, escaravelho,
E nos atormentos quaisquer noites,
fica assim, pouquim de mim, num lençol,
mas podendo ser poucão e poção

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

coisa que se aberta

fardos no ombro,
farinha pouca, miada,
farenáites não sei converter - diz, qualquer coisa que se
converte
que se disserte que se disseque que se digresse
que se traia,
subindo pelos montes nos lombos de mulas,
dançando uma adivinhação, uma sina,
uma sentença que sentencie, uma que descaiba,
uma que transfigure derreta escorregue
goela adentro e

faça magias e murmúrios

fez-se a luz,
feridas na face,
ferrolhos de ouro, olhares,
fendas nas paredes e semáforos fora de lugar - diz, qualquer
coisa que se aberta faça
o mundo todo tremer

sábado, 5 de novembro de 2016

conservamos os podres

conservas conservas
legumes variados
conservas conversas conluares
coplanagens cadeamentos tempestádios
rimos rimos rimos rimas
lumes lumes lumes limas
cada folha que queimamos
tinha versas as mais sinceras
tinha desenhas mais ousadas
tinha confissões de papel branco
jean michel, what was it anyway?
a gente que precisa comer e como
qualquer outra pessoa como
a mim mesmo e a quem puder passar aqui
pela frente por trás pelo lado eu posso
sim, comer, eu posso sim comer,
outrossim buraconegro
consumo, mistério
lavoro a bolero,
livreto a lorota,
léxico a lexotan,
de fim em fundo, glória,
conservamos os podres

conservamos os dentes

gianini reconvexo
duplo espelho alentejo
desalento desejo fome medo
consome cada quina cada canto cada
fossa cada topoi cada raiz
de onde a fome tira o nome
desgoverne desengano-me
vassouras gatos pretos
peço bençãos
ode à chama que consome
ode à chama que consome
ode à chama que consome
circunflexo ao retrovexo
circunscrevo transcrio desafio
desfio devoro deviro deliro
drume drume drume drume ao reverso
grita  um verso grita um terço
grita um torso
trança o tropo e treva o tear,
a velar a velar a velar
vela dos rumos dos mares oscuros
desconhecidos
rimas rimas arremedos remos
rimos
mas é só porque, apesar de tudo,
conservamos os dentes

borbulhe

jangada gandaia garoa gyarados
guerreiro gueroba guirlanda jiraya
jesus guará gostoso guspe

por cada fissura jorra
por cada fissura jorra
por cada fissura jorra 

gérmen-fagulha
bolha que prenha e prestes
a se explodir em ar e tudo

tudo com encanto, caminho, candeia,
cantiga, cantar até que o mundo borbulhe
e que as labaredas devorem a lenha

linho liame lâmina lâmia
lume limiar limalha ló
lopez lontra luminoso reiva

faça essa imagem,

o tormento de um marrom que deveria dizer
"aconchego"
mas diz
"desespero"
derramado em tijolinhos do fundo de uma
natureza-morta bem à minha frente, conquanto
uma imagem se passe à sua frente,
faça essa imagem,
suceda outra imagem, seccione um elemento,
coloque uma beterraba junto,
o que é que temos, hã?, foi divertido?,
se não tiver sido, desculpa,
foi o melhor que consegui

mas que então sim

preciso do meu detector de invisível
pra captar todas as ondas que arrodeiam
e enrodilham e nas tramas e nas tretas
fechados em estrepes, revoada de patos brancos
passa por todas as terras colinas montanhas tantos
são os patos brancos que voam - vejam, milagre -
patos brancos voam,
todos esses dominós
em belos padrões, numa festa todas nós
jogamos as toalhas para o alto e são
toalhas de tantas cores, ah são, toalhas
de todas as cores, toadas de todas as cores,
cada uma dessas notas já foi tocada e ainda assim
se recompõe e fazem algo que não,
que não, que não, que não, meu detector de invisível
que capte a frequência de tudo que ainda não
mas que então sim

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ou só jeito de fundir e depois derreter

eu canto como um leão
e tento assim
fazer verter da pedra leite,
milagre,
ou só jeito de fundir e depois derreter
peixinhos de ouro

queria era a tabacaria do pessoa

eu canto como um leão
e me arrebento a boca
de tanto tabaquinho e
queria era a tabacaria do pessoa
e do lado, a vendinha da maria

sentenças que sentenciam que desencaixam

eu canto como um leão
que sabe articular palavras e portanto
com tantas frases sentenças palavras
sentenças que sentenciam que desencaixam
se vê perdido em meio a si que só palavras
só palavras perdidas a si em meio se vê

que vão profundo

eu canto como um leão
mas, por algum motivo intenssão e gesto
não, correspondem, algo que sibila cádentro
cadência abandono, cadência abandono,
que diz: que vão que vão que vão
que vão profundo

e me acompanha a orquestra daquela

eu canto como um leão
e me acompanha a orquestra daquela
cidade lá, e aqui
tantas vezes nos revezes,
nos acidentes de percurso, violências cotidianas,
comedimentos, ausências de comédias,
tudo completamente farsaico,
assiduamente farisaico
e, nessas colisões,
fiz lágrimas

dessas longas viagens

eu canto como um leão
deliro
toras negras
caminhos caminhões de pau
trem e pérolas, illusio, desratio,
ratazenas que comem a comida
que ficou estocada no porão para o caso
dessas longas viagens

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

juguernauta

subindo pelos trópicos
salto plataforma es-drúx-lo
alyiyonanye altitonante
seus pés e sua imponência
Glória enquanto anda


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

domingo, 9 de outubro de 2016

domingo, 18 de setembro de 2016

destinóides

morte em las vegas
bermuda colorida
mongolices na madrugada
o fugir de
o desencaixe
os desejos
gracias, islândia
cortes nos laços
derivações
destinóides

sábado, 17 de setembro de 2016

as gentes, quando cortam as unhas, guardam-nas aos punhados e as depositam do lado esquerdo de suas portas, da perspectiva de quem entra: é pra umbelina dolores comê-las.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

e ela me disse
que os isqueiros perdidos
fazem parte de um ciclo cârmico
de ações e movimentos aparentemente desconexos
porém encadeados
goza arqueando o a região acima do lábio para o lado esquerdo superior

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

úrsula gertrudes

umbelina dolores tinha uma gata chamada úrsula gertrudes. úrsula gertrudes adorava apanhar passarinhos na mata. um dia, úrsula gertrudes trouxe a lua.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

8x k

mágik
caótik
sísmik
atômik
elétrik
biônik
mímik
tóxik

umbelina dolores

_umbelina dolores, traga-me uma xícara de chá.
e ela trouxe.
_umbelina dolores, traga-me o jornal.
e ela trouxe
_umbelina dolores, traga-me o tabuleiro de xadrez,
e ela trouxe.

ainda aquela noite, mais tarde, umbelina dolores comeu olhos no jantar.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

e também vocês

(estetoscópios
manjedouras
paralelepípedos azuis)

tocando radiohead
ruge o não, o na-não,
o micro não, o não pulsátil

quase túrgido
querendo ser
desengonçado, mas preciso

dizer (te a ti) tudo que está indo
vindo acontecendo tenho assim essa
compulsão de: dizer

(um atropelo, um volteio, um vale
e todas as quengas e todos os virados
carreata de destruição e babado e batekoo)

sucuri traçada pelos sete ventos e com nome de
deusa, sucuri mãe de todos os seres viverdinos e courados,
portanto nós, esses que sempre rastejam, todos e também vocês

porque sempre trocamos as peles, alguma vida pulsa,
porque permanecemos como dá, inventamos jeitos,

que fique claro, estamos
definitivamente
aí pra inventar jeitos
eu sou o senhor desengano

terça-feira, 6 de setembro de 2016

a terra, eu quero

semente flor e espinho, a planta come a terra, eu quero
ser a lesma do manoel de barros, me desfazer num rio,
ser qual polvo que solta tinta e imaginemos que
somos todos borrões, projetos tortos que o caos comeu,
roeu pelas bordas, qual ratazana, qual a cor do seu vestido?
borrão
borra de café que parece terra
e assopra os amanhãs pra incautos
me amanhece dedelírios jasmins opalas
versos árabes pulsos do carne palavras de deus enumerações caóticas que se me tomam e
ai que medo, ai que fogo, ai que sono, ai que nada, mas que nada,
sai da minha frente que eu quero passar, isso tudo aqui é
pedra, no meio do caminho tinha uma
qualquer coisa pra lá de marrakesh
casablanca me alcança
brumas que tomaram
avalon que outro dia me disse
névoa, muita névoa, lama, a barca,
ritual de abertura de mundo, mundo perdido,
qualquer desengano desenconto desencanto desesqueço estou
função vulcão unção caução junção estou louca
na realidade outra outro cabeça raspada
numa instituição
rogando
pela terra, pela terra, pela terra,
me leva, terra

qualquer deva

desenganos de sábados à noite
e atropelos de todas existências, entroncamentos,
nexos fluxos encruzilhadas arremates,
confluências, conjunções. conjugações,
que em outra paralela
dimensão como essa mas outra
ele teria também verde cabelo
o mesmo jeito de atropelo
e o habitus de maria juana
mas faria cênicas, segunda facul,
e via algum resíduo que escorre
eu só queria plasmar verso reverso inverso
sufocar os carolas com gozos dos mais torpes imensos
quantos chãos não amaríamos e por aí sementes a brotar, eu
sou o amanhã do amanhã do amanhã,
o além do amanhã, qualquer movimento é a frente e adentro,
se encontro cachoeira e poço, devo fazer uma parada,
água gelada, certamente, faz bem pra cuca,
não não não se esqueçam da canção,
qualquer dose, qualquer dote, qualquer dedo de moça,
qualquer deva, qualquer dano, qualquer pano pra troça,
viva a palhoça, viva a bossa, viva a paçoca, viva a jossa,
tal qual o menino também de cabelo verde
mas sem barba sabe-se lá porque,
estaria gravando um curta, e estaria namorando,
desamanhece outra vez, tudo correu

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

interessante essa sua escolha
nessa tarde de terça-feira
my blue toothpaste foam is just like my blue hair foam
yo soy la piedra
get real get right
pintas com pincel
tudo nonsenso

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

singras singras sing a song

escrever é uma felicidade, é uma ânsia, é um desejo,
é um trepar
em ti e muros e escadas

nadas
espadas e cavalgadas

sucinto digo sussurrante e trêmulo algo
já repetido lacerado mordido encardido derra-
-ma pelos espaços:

que o triunfo será a queda
que o triunfo será a queda
que o triunfo será a queda

risos
raízes e frisos

o fogo foi embora
mas eu achei um isqueiro
esquemas não são poemas, não faça
da minha vida um lema, leme, lume

e são pelos aquários da vida
que engolimos muita merda, harriette,

singras singras sing a song,
give me a sweet lullaby,
but make it sour, make it angry,
make it bitter

viver não é preciso, navegar

segunda-feira, 18 de julho de 2016

explosões de afetos
e o afeto é uma galinha que cisca o terreiro
e o terreiro faz fronteira com uma estrada onde os carros
onde os carros passam muito rápido e fica
o desejo da meninada de brincar e o medo
derivo de mim. o que derivo de mim? o não saber passos. o não saber passos de mim. o desentender. o tatear (a conclusão de) que é necessário usar luvas na hora que se pega o assado no forno. eu até queria que o forno estivesse estragado, mas não está. e o assado está exatamente no ponto, e eu até queria que estivesse cru, ou queimado. e quando se prepara algo. mas não fui eu quem preparei. quem preparou? quem entrou na minha casa e mexeu no meu forno? minto. que isso é um delírio. que na verdade eu estou é no bosque rodando em círculos me confundindo com os sinais que deixei pelo caminho e que outras e outros deixaram. as frases que digo a mim de mim não fazem tanto sentido. eu quero mergulhar em alguma coisa, não sei direito o que. alguma coisa que desconheço. outros lugares. os mesmos que desconheço, que posso vir a reconhecer, os que me são completamente alheios, e também aqueles dos sonharezinhos que intuo. que na verdade não intuo nada, e eu acabei dizendo que: eu desejo acontecimentos. eu tenho dito acontecimentos com alguma frequencia, e nem sei direito até que ponto isso não se torna um cacoete. eu tenho vontades de dar gritos, de jogar bolas de papel. e o que é que acontece? o que é que desacontece? e quando vem o sono. e o dia seguinte. e vontades outras. parece que tem uma coligação entre vontade e acontecimento. evito esse caminho logo a seguir, porque logo quero dizer que quero: acontecer e desacontecer ao mesmo tempo.
o que acontece exatamente quando a gente se centra no objeto que corte, e não no corte em si, ou no ato de cortar, ou naquilo que é cortado?

com estilete

o rolo enrolado
e então verticalmente cortado
acontece em abertura e fluxo
e você acontecida borboleta
e em todos os cantos com cores cantos encantos segredos
doçuras decepções acontecimentostodos palavrórios
subindo e descendo ao som
toques nas bebidas
toques nas mãos
e eu fitando seu casulo esquecido
e ele eu queria levar para casa
e tomar chá com ele e fumar um com
e colocá-lo pra dormir
aquiagora, araraquara

segunda-feira, 11 de julho de 2016

portanto é toque

a matéria do gênero
e portanto a anti
e portanto a energia
e portanto portando signos inscrições tecidos que recobrem
e desencadeiam e descabem e colidem
e também como qualquer matéria que são fenescem
decaem
eis que são trânsitos de que somos todos compostos, ao fim das contas e de regresso,
digo que a partir da pele tua que toco desconverso derivo deviro
gira em mim que gira em ti que gira por todos os cantos de lá até cá
portanto é toque
é toque é toque é toque
é toque

1desejo

esse sofá

Dirk Skreber German, (b. 1961), Untitled (Green Sofa), 1992.

domingo, 10 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

mifezfeliz

guache gauche caught (interrupted)

tô entregue aos reversos, aos possessos, aos desconexos
desentendimentos da cota, do diano, do diáfano, do profano,
sopranino delicete, desenlace o cacete,
ai que tudo!, ai que uó!,
e veio o sono

quantas caretas, expressões, sustos,

os limites da própria cara
são nossas
as chamas
que nos queimam? são vossas
as marcas
que eu louvo, que eu sorvo? são
minhas as
mãos que eu
trafego que desentrego?
são
páginas de livros enciclopédias bem cedo
almanaques tarô & filmes de vampiro,
comédias bufas, tentativas, arremedos de coisaqualquer,
que coloco à minha frente, desço a fronte,
e santifico, e derivo, e ritualizo que são
minhassuas suasminhas seilácomo
o b r i g a d o
acontecimento
explosão

devenir

;a

terça-feira, 5 de julho de 2016

Verso versas versifico esconjuro benzo mandingo

I want to break free no banheiro

I want

I want

I want to break free no banheiro

(como numa banda no banheiro)

Relentável

Relentantemente
Intutemente
Emergente, eis como te quero

Drawing constelations with the tip of your finger

Do they
Collide I ask and you
Smile

Símiles bélicos, súmulas anímicas,
Anímicas e anêmicas, tropeços de nada e pó,
Súmulas tépidas, tétricas, tréplicas,
Súmulas varonis garbosas pintosas

Na casa dos vinte
Adotamos aos trinta
Sei lá
Pode ser

Aboliremos acordos ortotodos, ser queerdoxo, 
Amanhecer dos retintos retornos dos
Laranja e azul mais intensos, mais intensos,
Mais breve e intensos laranja e azul

Obrigado
Por sempre vir e acontecer
Em minha cabeça tal qual divindade
Que imbrota, que desdita elatoda, quantas são as
Mãos , todos. Queda,

Quantas são as mãos e todos assim ainda em queda, obrigado,
Pelo bote, fricote, chilique, atropelo, tal
Manada de elefantes savana adentro & selvagem
Das frutas maduras de lá, numa foto em preto-e-branco, e

Duplas são as cores, as ondas, os nomes também duplos com
A natureza intrincada de seus mistérios e a obviedade tátil de seus referentes,
Trincos que vemos em reflexos de vidro fagulhas de multi
Verso versas versifico esconjuro benzo mandingo

Você é sagrado,
E você que manteve o próprio nome, se insinua ainda que duplo,
Ainda que praia, ainda que maré, ainda que devir,
Fenômeno e está e toca

sábado, 2 de julho de 2016

powsia 3

Constróis com uma mão um castelo, eu te vejo,
Destróis outro com a outra, eu te vejo,

Mortalha preparada, na outra rede de pesca,
tessitura que se descaiba que volite,
sons que ressoem bem alto, na outra silenciem, ressoem novamente mais alto,
na outra silenciem,

Eu te vejo,
cabelo despenteado vento na cara desolação abandono
o sol tão forte no céu grita incompreensões de todo santo dia e santa noite
ao reverso todos os deuses dançam em rodas confusas e promíscuas, e

Dormes enquanto se move, corres enquanto parada, 
flutuas enquanto no chão, tremes enquanto estática,
caístes e intacta,  chistes e austera,
faminta nega a comida, eu te

Vejo,
acertos acidentes de percurso flechas ao alvo maçãs
a queda das folhas pelo caminho tornou o percurso um tapete de esqueceres
em rodas promíscuas confusas ao dançam avesso deuses todos



powsia 2

A construir um castelo com uma mão, eu te vejo,
A destruir outro com a outra (mão), eu te vejo,

Constróis com uma mão um castelo, eu te vejo,
Destróis outro com a outra, eu te vejo,

Com uma mão construindo um castelo, eu te vejo,
Com a outra destruindo um outro, eu te vejo,

Um castelo com a mão constrói, eu te vejo,
Outro com a outra mão destrói, eu te vejo,
sonhando em ir pra L.A. agora

powsia

A construir um castelo com uma mão, eu te vejo,
A destruir outro com a outra (mão), eu te vejo

A tecer rede de pesca com uma mão, eu te vejo,
A tecer mortalha com a outra (mão), eu te vejo

segunda-feira, 6 de junho de 2016

tudo bom
tudo bem

tudo está bom
tudo está bem

tudo é bom
tudo é bem

ele é bom
ele é bem


terça-feira, 31 de maio de 2016

eu que
sou obrigado pela imperatividade
a sempre arrumar a cama e portanto
sinto falta de tê-la bagunçada como que representando os dias mas admito
que é bom vê-la com uma ordem que negue o passado esse
esforço inútil
"What's the matter?
You don't have enough rain
To make up your storm"


"broken hearts make it rain"

domingo, 22 de maio de 2016

quinta-feira, 19 de maio de 2016

tu peux m'appeller janine, tu peux m'appeller thérèse,
tu peux m'appeller le nom que tu veux,
je veux être tous des choses,
la infinitude des possibilités des noms

segunda-feira, 2 de maio de 2016

o antropólogo, a luz intrusa, o pintor

luas mortas, pálidas ou obscuras, no firmamento da razão,
e é portanto um céu?
as constelações-traços confundem planetas e estrelas,
vidas, possibilidades, fantasmas,
linhas imaginárias, enquanto o sono
o sono
o sono produz monstros, deformações,
enquanto luzes
luzes
luzes fazem o espelho,
e uma acende, outra apaga, cada uma num canto,
é um pouco confuso, mas é real

sexta-feira, 29 de abril de 2016

potlatch revisited


queimar tudo, tudo quanto se possa, seus maiores tesouros,
seu pai, seu marido, seu filho, seus livros, suas mantas,
seu trigo, seus figos,
suas cartas de amor,
sua coroa,
sua coleira,
todes colocando tudo a queimar
pelos bons augúrios, pela festa, para mostrar que se pode

"encantamento da trompa" no kula, retirado do ensaio sobre a dádiva de mauss

[Um estado de excitação apodera-se de meu parceiro]
Um estado de excitação apodera-se de seu cachorro,
Um estado de excitação apodera-se de seu cinto, 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

esse tanto tango amor que reverbera assim me fechou como uma incógnita quase
e as coisas se atravessam mesmo,
se entremeiam,
se confundem,
linhas retas pur quá?,
vem ni mim, gaudí

sexta-feira, 22 de abril de 2016

nas noites secas

ó meu amor, eu vou
matar-te assim jovem como és
pra que tua alma seja, para sempre,
orvalho nas noites secas

quadrinha do despossuído

meu bem não pense você
que por ser pequeno meu verso
não lhe daria prazer

o sol é bem pequeninho,
veja lá,
e ilumina a terra toda

olhos, olhos, olhos

peep-show, creep-show, where did you get those eyes?
porquoi tu m'appelle janine alors que je m'appelle thérèse

ou,

porque me chamas do que não me entendo ser?

quinta-feira, 21 de abril de 2016

cisão
indecisão

benjamin in dawsey

"Benjamin (1985f:103) evoca a figura do "catador de lixo":
Temos aqui um homem: ele tem de catar pela capital os restos do dia que passou. Tudo o que a grande cidade jogou fora, tudo o que ela perdeu, tudo o que desprezou, tudo o que ela espezinhou — ele registra e coleciona. Coleta e coleciona os anais da desordem, a Cafarnaum da devassidão; separa e seleciona as coisas, fazendo uma seleção inteligente; procede como um avarento em relação a um tesouro, aferrando-se ao entulho que, nas maxilas da deusa da indústria, assumirá a forma de objetos úteis ou agradáveis.
Resíduos revelam uma história do esquecimento. O catador dos "restos do dia que passou" é capaz de fazer despertar a própria memória involuntária da cidade. Seu segredo? A cumplicidade com os objetos por ele colecionados — na iminência das "maxilas da deusa da indústria". Resíduos despertam esperanças adormecidas. Também são instrutivos. Diante das ruínas do passado e de suas histórias monumentais, descobre-se que nem mesmo deusas tão poderosas como esta são eternas. Suas maxilas também podem ser despedaçadas."


http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132009000200002#nt14

domingo, 10 de abril de 2016

ai, eu atuei hoje, me deixa
nano dava voltas em torno de si mesmo
mas tocava violão, parecia
um cachorro amestrado, nano

pedia todas as tequilas, traçava
as rotas e cavava buracos, trigueiro
rosa anil, nano era tal nano

segunda-feira, 28 de março de 2016

as angústias
são tantos líquidos, de muitas cores,
e se misturam
no mesmo vaso,
fica tudo preto?

terça-feira, 22 de março de 2016

Míssil

lady gaga, atacama, mississippi,
suzete rola na lama
um istmo de um momento
lega lama aos quatro ventos

inventos de um adormecer qualquer
e de um rolar na cama
de quando puxamos nossos próprios cabelos
e dizemos palavras sujas

e quando o rolê fica lotado
eles piram e mandam
o tecno mais alto

quando seus cabelos rubros eram
cavalos rajados brumosos montava
vestida de tua pele nua
amava a Deusa

qual o segredo de teus desígnios
que nos fez a amar e a morrer?
soava contra senso
e ainda soa

sonatas de outono compunha
e eras toda caos e éter:
a matéria da criação

suspende o copo, um dia
gritou ao rapaz e brindou
e daí uma torrente
serpentes se enlaçavam suas
alto e avante!, alto e avante!,
e o clamor da alvorada e da torcida

eu não sei porque me sinto tão
língua presa
eu não sei porque tão me sinto
esfolado vivo

e é o terror secreto que sempre
inquieto
rege nosso sono

desenhos de polvos e calabouços
arianne martel, cerrado, savana
lama, suzette, pecados
de som e fúria e fulgor

a cantarolante amiga francesa
que logo virou amante francesa
e o gosto da fruta e ela
e a amiga subiam
juntas, pela estrada amarela

sinais não os são
exceto quando os são

quando eu te vejo, tremo

segunda-feira, 21 de março de 2016

o que a gente precisa pra esses tempos é flutuar

das somas às

suspense, suspensão,
suspeita, sunset, summit,
as somas das partes jamais fez o todo,
toada ficção janela pela das somas às
coisas se abrigam uma nas outra, se ligam com fios de nylon,
trepam convulsivas, desencontradas, desenganadas,
engasgo engodo cobertor convocatória
todos os depoentes em fila na delegacia, enumeram-se
os fatos, nada lógicos, nada os conecta, assim fomos
somos seremos em fila na delegacia, eu, tu, eles, e
todas as outras pessoas, filete de água,
filigranas, diligências, guirlandas,
heloise se põe em pé em cima do sofá
e começa a pular, pular, pular, não sabe
oh, eloise, que pular é recém proibido nesses tempos?
senões e as claras, as gemas, as cascas,
o pisar,
o pisar,
o pisar,
e o pesar, porque não?,
e o flutuar

socorro era uma pessoa querida,
socorro era uma irmã de fé,
socorro permanecerá pra sempre viva,

quarta-feira, 16 de março de 2016

a presidenta está caindo
a presidenta está caindo
a presidenta está caindo

terça-feira, 15 de março de 2016

eu sou desencontro

sem mais pios para você hoje
só faremos nossa colheita com os
frutos mais manchados, mais machucados,
e nem ouvirei sequer gorjeio seu, a tocha
do amanhecer anteontem se apagou, estamos
eternamente eternos na noite também eterna,

por óbvio, peões do voltáico, arautos do elétrico,
descendo até o chão com o méxico
como numa festa que nunca fomos,
traço mental mentalmente o contorno do seu beijar, estabanado,

desencontros, manchas mais machucados, eu sonho
com os pedaços de pele que não vi, do tecido seu
em cordas de harpa e adornos de saias, pavões sequer
não há aves por aqui, os voos que não fizemos, sou
 
piloto de fuga, beibe, confesso, joguei meu avião
num alvo estratégico, te juro, sonhei, saltei antes e gritei
que alá era grande!, alá era tão grande!,
e eu só desencontro
sem mais pios para você hoje
te quero nos cinco planos e nas quatro dimensões

quinta-feira, 10 de março de 2016

argumentos/possibilidades para roteiro/projeto #442

um grupo de pessoas, moradores de ruas, talvez não todos sendo moradores de rua, talvez um assistente social, interagindo.

num determinado momento um policial tenta estuprar uma das personagem e é morto por outro personagem com uma paulada na cabeça. eles ocultam o corpo. e fica uma discussão entre eles sobre culpa, se entregar ou não, veem na televisão depoimento da família do policial e de seus filhos sofrendo e da mulher doente.

no final, o personagem que matou é capturado, mas não os outros, e carregado para fora de cena aos gritos de que o sistema é injusto.

personagem #529

josé não gosta de ser chamado de zé. prefere que o chamem de jô. gosta de usar roupas femininas, especialmente as floridas, mas nunca vestidos, usa barba e não é afeminado. sempre pinta as unhas da mão direita de verde, e as da esquerda de rosa. vende quadros, e seu grande projeto é um quadro em branco. vem de uma família muito rica, e tem vergonha disso, pois é um pouco anarquista/comunista. já morou na europa. carrega sempre uma garrafa de vinho vazia. foi abusado quando criança pelo irmão mais velho, que morreu, e não fica muito claro se talvez jô o matou. guarda uma sacolinha de pano com uma coleção de conchas, presente de uma namorada da adolescência.

personagem #528

darlene usa um vestido longo preto, com os braços de fora, e usa brincos discretos de pérola falsa. carrega um regador com flores (de plástico) dentro, e o trata como uma das coisas mais preciosas. em diferentes momentos, o regador é seu interlocutor, é seu bebê, é seu altar, e etc. primeiramente foi freira, depois tornou-se prostituta, hoje vende flores de plástico, porque não morrem. já passou por vários abortos, tanto auto-induzidos como espontâneos. quando está frio, usa um paletó bege que era de seu pai. odeia seu pai com todas as forças. não conheceu sua mãe. gosta muito de livros de colorir. é virginiana.

quarta-feira, 9 de março de 2016

aluvião guadalupe,
ribanceira sacada,
sinais de rodopio,
pegadas na calçada,

macarrão à bolonhesa,
quadratura do pó,
o hino da portuguesa,
guettomacumba cipó,

curvaturas do nó,
dromedários ao léu,
rugir da tigresa,
votos de papel

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

projeto para performance #447

o mundo já acabou! estamos presos em uma realidade paralela! esse já é o inferno. resfolegando baixinho no cangote feito sedução barata, carne com carne, sem delicadeza, sem cantiga, vinho derramado no chão, vela derretida na janela, cigarro aceso, cigarro barato, tudo mais ou menos barato, vinho barato, vinho barato, vinho barato, vida barata, rumores e ruídos que escutamos nos becos, e flashes neon, flashes neon reluzentes a guiar os descaminhos, e todo mundo todo mundo prum lado, e todo mundo todo mundo pro outro, perfume barato, desejo barato, amargo barato, um verdadeiro aparato, uma máquina de entorpecer e deixar inerte, todos a caminho desfilam esperando remate, abate, descarte, e a arte? mas, e a arte? eu digo: mas e a arte? qual delas. a sua no seu andar rápido. a sua do olho esbugalhado. a sua do jeito largo. a sua, a sua, a sua. não é suficiente, nunca seria, e vem a conta gotas, o que? eu te pergunto. tudo, eu te respondo.

e se o mundo já acabou? e se estamos presos em uma realidade paralela? e se esse já é o inferno?

e quando o mundo já acabou? e quando estamos presos em uma realidade paralela? e quando esse já o inferno?


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

sinceridade é uma comédia bufa
poesia é como qualquer passatempo
maus passados passam bem, obrigado,

sinhaturas em cingapura
e gaivotas a consuelo

resete de malote, prometido a consorte,
tudo com um pouquim de gosto de morte

segredos em altitudes e derivações e escalas
poesia que cabe no porta malas
porta jóias de maria no fundo do mar

ah...! mas se você afogar
ah...! mas se você afogar

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

mãos que me agarram
versões de um abraço
a casa de verão está sempre aberta
e eterno é o vento soprando a areia


domingo, 31 de janeiro de 2016

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

terrorífica

esse lamaçal é
eterno, o despertar varia tão
pouco nas cores, nos corres, no
discorrer, no discurso, no gesto,
força nuclear forte,
força nuclear fraca,
coisas que impedem que tudo se desintegre, e os
rejuntes
dessa casa
estão todos rachadinhos,
supercordas na parede, outras linhas, os
laços misteriosos que regem gestões intenções
controles fórmulas tesões amarras,
amarras e tudo,
amarras tu, tu me amarras, no pé da cama
e põe seu pé na minha cara
e na noite seguinte sou eu, espelho espelho meu qual é
o som que eu faço
quando constato?
toda constatação é um estatelamento.
dora amanhece em novas cobertas, ana em
novas cobertas, judith em novas cobertas, todas
todas em novas cobertas,
e o trem segue com todos seus vagões e nenhum deles tem a mesma cor,
nenhum deles,
e cada um é uma miséria humana diferente, tem desde
vontade de deus até
unha encrava e
desejo de trepar com alguém com uma máscara, pode ser até
de black bloc,
que som eles
os vagões, fazem?
quais as infinitas cores da miséria?
árvores às vezes tem muitas raízes
muitos galhos
imagine agora uma com infinitos e infinitas,
parece muito, é?
eu vou te mostrar o que é muito
goles de cerveja e goles de café me lembra caxambu
a imagem primeiro
e aí então a revolta contra a imagem
tornando-a em uma revolta de imagem
uma negação
um grande não

Gerhard Richter (German, b. 1932), Untitled (23. Jan. 2015), 2015. Oil on photograph, 11.1 x 16.4 cm.

the crying birth of mother peru

isso existe?
cada e toda imagem é uma contraface do amanhã e agora
depositam no altar estrelas mortas e entoam
entoam longas cantigas e orações também mortas
enquanto a ponta do cigarro queima
a ponta do cigarro queima o tecido e da poltrona e consome
a seguir
a casa
cada fluxo é um refluxo é um contrafluxo e
os deuses sim jogam dados, jogam dados compulsivos,
dados de vinte faces, desamparo, abandono,
e é tudo piada em suas mesas e seus mapas e seus planos e suas coisas e,
tudo isso de deuses e nada,
subindo a corredeira de sei lá se lá tem corredeira mas
a corredeira del rio plata, e a morte
a morte de todos os vagabundos heróis em nossas costas,
as costas doem, e AS VAGABUNDAS HEROÍNAS também morridas,
e ausência de sono, a ausência de sono que se marca pálida
em amanheceres desgovernados, sofá poltrona aparelhos
anteparos para o nada, alguém já disse,
e teve
aquela moça
em sua longa queda pela escada,
relicários de ressonâncias, é disso, e de que tudo se trata,
o incêndio da rua sete,
o incêndio da rua sete me fez pensar sobre possibilidades
e sobre como o fogo estoura! o fogo rasga! o fogo entranha!
o fogo devora.
e o que temos então são cinzas, cinzas e deuses,
e a cabeça do bebê sem cabeça
e o improvável,
e ele riu, rio, e riu, e ria,
ele rio,
desgovernado na corredeira

domingo, 24 de janeiro de 2016

i can feel it
i can feel it
a little lower
now a little higher
and it goes on
goes... on...

fastiada
ergueu seu iglu e se
aconchegou

elétrica
colheu conchas para um colar e
conhaque

pedro urso e joão
procurando canais em amsterdan
amanhã, amsterdan:

é uma boa rima

rimas e rumos
e murros e miras

suspende

sábado, 23 de janeiro de 2016

ALGUM ATIVO COM LOCAL TEM UMA MÁSCARA AE??? PODE SER DE HALLOWEEN, SUPER HEROI, QUALQUER UMA! CAPACETE DE MOTO TAMBÉM CURTO! VAI ATÉ CAMISETA NA CARA IGUAL BLACK BLOC!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

o deus da punheta me protege
Richard Diebenkorn (American, 1922-1993), Untitled, 1976. Oil and gouache on paper, 37.8 x 27.6 cm.
se eu já não mencionei hotline bling
sempre escrevendo para o amanhã
vou voltar com o twitter
sanjay patel
se foi
daria tanto nem que pelo sentir um pouco um cacete

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

posto que é ímpeto, vontade,
ascendente ou
vetor
oposto
nunca saber exatamente se é
amanhecer ou anoitecer,

leva as folhas,
esconde os escombros,
refresca o dia,
provoca acidentes,


então

a perpendicularidade possível
entre pornô e arte,
a dama distinta, vestido e tudo,
com máscara de couro,

então

a cantora de ópera
com a partitura do impossível
e suas cores em abandono,

então

c'est superbe!,
a máscara aberta dentro
da máscara aberto dentro
matrioshkas improváveis, abandono,

então

momentos estelares, letras, signos
são do céu e da terra, cometas
e colisões, traçados que se encontram,

então

a garrafa de bebida, o colar, o pincel
à mão, vara de condão,  o cotovelo,
o olhar, é tudo
tecido delicado,

então

linhas de distorção como negativos,
como verdades profundas,
partes,

então

sai uma fumaça vermelha de ti,

então

nós são possíveis, cabíveis, prováveis e
super acontecem, cordas que se ligam,
crianças que brincam,

então

as palavras-tentativas de jaulas para imagens,
o buraco na parede que realmente enjaula
uma imagem, folha de coqueiro, folhas,
 reboco machucado,

 então

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

sêmola
bolonhesa
ratatouille
bolacha
berinjela, torta de

barba grande
barba curta
chapéu de fazenda
foto-arte
rodou cidades
comi o cu
chegou dançando
toque na mão

SQN 410,
só que não

os táxis dessa cidade,
os táxis dessa cidade estão
absurdamente caros e isso fode
com a vida de um pobre marginal sedento

sou várias, e nessas

To bem
To ótima
To suprema
To diva
To estelar