segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

the crying birth of mother peru

isso existe?
cada e toda imagem é uma contraface do amanhã e agora
depositam no altar estrelas mortas e entoam
entoam longas cantigas e orações também mortas
enquanto a ponta do cigarro queima
a ponta do cigarro queima o tecido e da poltrona e consome
a seguir
a casa
cada fluxo é um refluxo é um contrafluxo e
os deuses sim jogam dados, jogam dados compulsivos,
dados de vinte faces, desamparo, abandono,
e é tudo piada em suas mesas e seus mapas e seus planos e suas coisas e,
tudo isso de deuses e nada,
subindo a corredeira de sei lá se lá tem corredeira mas
a corredeira del rio plata, e a morte
a morte de todos os vagabundos heróis em nossas costas,
as costas doem, e AS VAGABUNDAS HEROÍNAS também morridas,
e ausência de sono, a ausência de sono que se marca pálida
em amanheceres desgovernados, sofá poltrona aparelhos
anteparos para o nada, alguém já disse,
e teve
aquela moça
em sua longa queda pela escada,
relicários de ressonâncias, é disso, e de que tudo se trata,
o incêndio da rua sete,
o incêndio da rua sete me fez pensar sobre possibilidades
e sobre como o fogo estoura! o fogo rasga! o fogo entranha!
o fogo devora.
e o que temos então são cinzas, cinzas e deuses,
e a cabeça do bebê sem cabeça
e o improvável,
e ele riu, rio, e riu, e ria,
ele rio,
desgovernado na corredeira

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