segunda-feira, 28 de março de 2016

as angústias
são tantos líquidos, de muitas cores,
e se misturam
no mesmo vaso,
fica tudo preto?

terça-feira, 22 de março de 2016

Míssil

lady gaga, atacama, mississippi,
suzete rola na lama
um istmo de um momento
lega lama aos quatro ventos

inventos de um adormecer qualquer
e de um rolar na cama
de quando puxamos nossos próprios cabelos
e dizemos palavras sujas

e quando o rolê fica lotado
eles piram e mandam
o tecno mais alto

quando seus cabelos rubros eram
cavalos rajados brumosos montava
vestida de tua pele nua
amava a Deusa

qual o segredo de teus desígnios
que nos fez a amar e a morrer?
soava contra senso
e ainda soa

sonatas de outono compunha
e eras toda caos e éter:
a matéria da criação

suspende o copo, um dia
gritou ao rapaz e brindou
e daí uma torrente
serpentes se enlaçavam suas
alto e avante!, alto e avante!,
e o clamor da alvorada e da torcida

eu não sei porque me sinto tão
língua presa
eu não sei porque tão me sinto
esfolado vivo

e é o terror secreto que sempre
inquieto
rege nosso sono

desenhos de polvos e calabouços
arianne martel, cerrado, savana
lama, suzette, pecados
de som e fúria e fulgor

a cantarolante amiga francesa
que logo virou amante francesa
e o gosto da fruta e ela
e a amiga subiam
juntas, pela estrada amarela

sinais não os são
exceto quando os são

quando eu te vejo, tremo

segunda-feira, 21 de março de 2016

o que a gente precisa pra esses tempos é flutuar

das somas às

suspense, suspensão,
suspeita, sunset, summit,
as somas das partes jamais fez o todo,
toada ficção janela pela das somas às
coisas se abrigam uma nas outra, se ligam com fios de nylon,
trepam convulsivas, desencontradas, desenganadas,
engasgo engodo cobertor convocatória
todos os depoentes em fila na delegacia, enumeram-se
os fatos, nada lógicos, nada os conecta, assim fomos
somos seremos em fila na delegacia, eu, tu, eles, e
todas as outras pessoas, filete de água,
filigranas, diligências, guirlandas,
heloise se põe em pé em cima do sofá
e começa a pular, pular, pular, não sabe
oh, eloise, que pular é recém proibido nesses tempos?
senões e as claras, as gemas, as cascas,
o pisar,
o pisar,
o pisar,
e o pesar, porque não?,
e o flutuar

socorro era uma pessoa querida,
socorro era uma irmã de fé,
socorro permanecerá pra sempre viva,

quarta-feira, 16 de março de 2016

a presidenta está caindo
a presidenta está caindo
a presidenta está caindo

terça-feira, 15 de março de 2016

eu sou desencontro

sem mais pios para você hoje
só faremos nossa colheita com os
frutos mais manchados, mais machucados,
e nem ouvirei sequer gorjeio seu, a tocha
do amanhecer anteontem se apagou, estamos
eternamente eternos na noite também eterna,

por óbvio, peões do voltáico, arautos do elétrico,
descendo até o chão com o méxico
como numa festa que nunca fomos,
traço mental mentalmente o contorno do seu beijar, estabanado,

desencontros, manchas mais machucados, eu sonho
com os pedaços de pele que não vi, do tecido seu
em cordas de harpa e adornos de saias, pavões sequer
não há aves por aqui, os voos que não fizemos, sou
 
piloto de fuga, beibe, confesso, joguei meu avião
num alvo estratégico, te juro, sonhei, saltei antes e gritei
que alá era grande!, alá era tão grande!,
e eu só desencontro
sem mais pios para você hoje
te quero nos cinco planos e nas quatro dimensões

quinta-feira, 10 de março de 2016

argumentos/possibilidades para roteiro/projeto #442

um grupo de pessoas, moradores de ruas, talvez não todos sendo moradores de rua, talvez um assistente social, interagindo.

num determinado momento um policial tenta estuprar uma das personagem e é morto por outro personagem com uma paulada na cabeça. eles ocultam o corpo. e fica uma discussão entre eles sobre culpa, se entregar ou não, veem na televisão depoimento da família do policial e de seus filhos sofrendo e da mulher doente.

no final, o personagem que matou é capturado, mas não os outros, e carregado para fora de cena aos gritos de que o sistema é injusto.

personagem #529

josé não gosta de ser chamado de zé. prefere que o chamem de jô. gosta de usar roupas femininas, especialmente as floridas, mas nunca vestidos, usa barba e não é afeminado. sempre pinta as unhas da mão direita de verde, e as da esquerda de rosa. vende quadros, e seu grande projeto é um quadro em branco. vem de uma família muito rica, e tem vergonha disso, pois é um pouco anarquista/comunista. já morou na europa. carrega sempre uma garrafa de vinho vazia. foi abusado quando criança pelo irmão mais velho, que morreu, e não fica muito claro se talvez jô o matou. guarda uma sacolinha de pano com uma coleção de conchas, presente de uma namorada da adolescência.

personagem #528

darlene usa um vestido longo preto, com os braços de fora, e usa brincos discretos de pérola falsa. carrega um regador com flores (de plástico) dentro, e o trata como uma das coisas mais preciosas. em diferentes momentos, o regador é seu interlocutor, é seu bebê, é seu altar, e etc. primeiramente foi freira, depois tornou-se prostituta, hoje vende flores de plástico, porque não morrem. já passou por vários abortos, tanto auto-induzidos como espontâneos. quando está frio, usa um paletó bege que era de seu pai. odeia seu pai com todas as forças. não conheceu sua mãe. gosta muito de livros de colorir. é virginiana.

quarta-feira, 9 de março de 2016

aluvião guadalupe,
ribanceira sacada,
sinais de rodopio,
pegadas na calçada,

macarrão à bolonhesa,
quadratura do pó,
o hino da portuguesa,
guettomacumba cipó,

curvaturas do nó,
dromedários ao léu,
rugir da tigresa,
votos de papel