terça-feira, 6 de setembro de 2016

a terra, eu quero

semente flor e espinho, a planta come a terra, eu quero
ser a lesma do manoel de barros, me desfazer num rio,
ser qual polvo que solta tinta e imaginemos que
somos todos borrões, projetos tortos que o caos comeu,
roeu pelas bordas, qual ratazana, qual a cor do seu vestido?
borrão
borra de café que parece terra
e assopra os amanhãs pra incautos
me amanhece dedelírios jasmins opalas
versos árabes pulsos do carne palavras de deus enumerações caóticas que se me tomam e
ai que medo, ai que fogo, ai que sono, ai que nada, mas que nada,
sai da minha frente que eu quero passar, isso tudo aqui é
pedra, no meio do caminho tinha uma
qualquer coisa pra lá de marrakesh
casablanca me alcança
brumas que tomaram
avalon que outro dia me disse
névoa, muita névoa, lama, a barca,
ritual de abertura de mundo, mundo perdido,
qualquer desengano desenconto desencanto desesqueço estou
função vulcão unção caução junção estou louca
na realidade outra outro cabeça raspada
numa instituição
rogando
pela terra, pela terra, pela terra,
me leva, terra

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