segunda-feira, 28 de novembro de 2016

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

por um lado, por outro

bem (que) eu queria saber (se)
sou (eu) o que invento
a flor ou se ela
(já) está
(lá)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

quaisquer noites

monóxido de carbono, oh
Ande, oh, ande. Oh, ande, oh
Ande,
Acontecimentos negros
Da melhor cor
E variadas,
E sempre, de volta, a ela:
draga, buraco negro,
percevejo, escaravelho,
E nos atormentos quaisquer noites,
fica assim, pouquim de mim, num lençol,
mas podendo ser poucão e poção

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

coisa que se aberta

fardos no ombro,
farinha pouca, miada,
farenáites não sei converter - diz, qualquer coisa que se
converte
que se disserte que se disseque que se digresse
que se traia,
subindo pelos montes nos lombos de mulas,
dançando uma adivinhação, uma sina,
uma sentença que sentencie, uma que descaiba,
uma que transfigure derreta escorregue
goela adentro e

faça magias e murmúrios

fez-se a luz,
feridas na face,
ferrolhos de ouro, olhares,
fendas nas paredes e semáforos fora de lugar - diz, qualquer
coisa que se aberta faça
o mundo todo tremer

sábado, 5 de novembro de 2016

conservamos os podres

conservas conservas
legumes variados
conservas conversas conluares
coplanagens cadeamentos tempestádios
rimos rimos rimos rimas
lumes lumes lumes limas
cada folha que queimamos
tinha versas as mais sinceras
tinha desenhas mais ousadas
tinha confissões de papel branco
jean michel, what was it anyway?
a gente que precisa comer e como
qualquer outra pessoa como
a mim mesmo e a quem puder passar aqui
pela frente por trás pelo lado eu posso
sim, comer, eu posso sim comer,
outrossim buraconegro
consumo, mistério
lavoro a bolero,
livreto a lorota,
léxico a lexotan,
de fim em fundo, glória,
conservamos os podres

conservamos os dentes

gianini reconvexo
duplo espelho alentejo
desalento desejo fome medo
consome cada quina cada canto cada
fossa cada topoi cada raiz
de onde a fome tira o nome
desgoverne desengano-me
vassouras gatos pretos
peço bençãos
ode à chama que consome
ode à chama que consome
ode à chama que consome
circunflexo ao retrovexo
circunscrevo transcrio desafio
desfio devoro deviro deliro
drume drume drume drume ao reverso
grita  um verso grita um terço
grita um torso
trança o tropo e treva o tear,
a velar a velar a velar
vela dos rumos dos mares oscuros
desconhecidos
rimas rimas arremedos remos
rimos
mas é só porque, apesar de tudo,
conservamos os dentes

borbulhe

jangada gandaia garoa gyarados
guerreiro gueroba guirlanda jiraya
jesus guará gostoso guspe

por cada fissura jorra
por cada fissura jorra
por cada fissura jorra 

gérmen-fagulha
bolha que prenha e prestes
a se explodir em ar e tudo

tudo com encanto, caminho, candeia,
cantiga, cantar até que o mundo borbulhe
e que as labaredas devorem a lenha

linho liame lâmina lâmia
lume limiar limalha ló
lopez lontra luminoso reiva

faça essa imagem,

o tormento de um marrom que deveria dizer
"aconchego"
mas diz
"desespero"
derramado em tijolinhos do fundo de uma
natureza-morta bem à minha frente, conquanto
uma imagem se passe à sua frente,
faça essa imagem,
suceda outra imagem, seccione um elemento,
coloque uma beterraba junto,
o que é que temos, hã?, foi divertido?,
se não tiver sido, desculpa,
foi o melhor que consegui

mas que então sim

preciso do meu detector de invisível
pra captar todas as ondas que arrodeiam
e enrodilham e nas tramas e nas tretas
fechados em estrepes, revoada de patos brancos
passa por todas as terras colinas montanhas tantos
são os patos brancos que voam - vejam, milagre -
patos brancos voam,
todos esses dominós
em belos padrões, numa festa todas nós
jogamos as toalhas para o alto e são
toalhas de tantas cores, ah são, toalhas
de todas as cores, toadas de todas as cores,
cada uma dessas notas já foi tocada e ainda assim
se recompõe e fazem algo que não,
que não, que não, que não, meu detector de invisível
que capte a frequência de tudo que ainda não
mas que então sim

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

ou só jeito de fundir e depois derreter

eu canto como um leão
e tento assim
fazer verter da pedra leite,
milagre,
ou só jeito de fundir e depois derreter
peixinhos de ouro

queria era a tabacaria do pessoa

eu canto como um leão
e me arrebento a boca
de tanto tabaquinho e
queria era a tabacaria do pessoa
e do lado, a vendinha da maria

sentenças que sentenciam que desencaixam

eu canto como um leão
que sabe articular palavras e portanto
com tantas frases sentenças palavras
sentenças que sentenciam que desencaixam
se vê perdido em meio a si que só palavras
só palavras perdidas a si em meio se vê

que vão profundo

eu canto como um leão
mas, por algum motivo intenssão e gesto
não, correspondem, algo que sibila cádentro
cadência abandono, cadência abandono,
que diz: que vão que vão que vão
que vão profundo

e me acompanha a orquestra daquela

eu canto como um leão
e me acompanha a orquestra daquela
cidade lá, e aqui
tantas vezes nos revezes,
nos acidentes de percurso, violências cotidianas,
comedimentos, ausências de comédias,
tudo completamente farsaico,
assiduamente farisaico
e, nessas colisões,
fiz lágrimas

dessas longas viagens

eu canto como um leão
deliro
toras negras
caminhos caminhões de pau
trem e pérolas, illusio, desratio,
ratazenas que comem a comida
que ficou estocada no porão para o caso
dessas longas viagens