quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

guache gauche caught (revisited)

tô entregue aos começos, aos avessos, aos perversos
belisquetes da recepção, da ré, da decepção, do sudário e da mesquita,
rabiola encantadora, já preparo a bassoura,
ui que dose! ui que dó!


tô entregue aos reversos, aos possessos, aos desconexos
desentendimentos da cota, do diano, do diáfano, do profano,
sopranino delicete, desenlace o cacete,
ai que tudo!, ai que uó!

o maior ato falho que vc conhece e vc respeita

contrato
sem erre
é contrato

alô alô grazadeusa
sumidouro miragem
harriette sobe na mesa e levanta a saia
caleidoscópio papagaio
grita o quão essa noite é um espetáculo
quase todo o vagão da aeronave
quando todos deixam o resto pra trás

toque uma canção bem alto
feita
de silêncios

não faz a menor diferença o que está
o que pode estar
o que está acontecendo

não me digas mentirinhas, dói demais, diz a poeta,
poderei um dia saber se isso é um alexandrino ou só um desvario
alguns flashes
quaisquer flashes
todos os flashes

do pingo pro balde
da cama pro túmulo
sente lá, sente cá, riem, choram

um desafio diferente
um delírio gostoso
um acontecimento
um lance




sabe como é?



hmmm
vc sabe como é














segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

o meu pedido final
não deixa o drama morrer
não deixa o drama acabar
o burguês foi feito de drama
drama pra gente dramar

sábado, 3 de dezembro de 2016

hinote à sabedoria

a mulher que carregava o touro nos braços
subia as escadas sabendo o que fazia
tão límpida lâmina que fere uma noite qualquer
e tinta de sangue o chão de pedras
cenográficas que é tudo farsa que é tudo mito
os entrances as entranhas as entrevas de cada um
num bolo de fiados e remendos e pontas duplas

anda pelo palco apenas em diagonais
gosta de colocar enigmas às personagens
tem um embate em que coloca como as forças do caos são prevalecentes
movimenta os braços em opostos, se põe muitas vezes agachado e anda assim
recita poemas