sexta-feira, 3 de março de 2017

da lama surge

de vez em quando eu penso assim
valoriza a ti, que o mundo não te
merece, mentira, eu nunca
penso assim, eu direto tô pensando
que eu que mereço pouco poquim
sendo que na vera é um excesso de luz
que sai de mim pro mundo e eu poderia
cegar fulanim cicraninha e etc e tal e,
assim, às vez alguém até reconhece,
e reconhecer é um joguinho dos mais
complexos, é preciso engate
é preciso encaixe
é preciso caixas matrioshkas
é preciso segredos de pé de ouvido
é preciso rasgar mapas,
a gente se deixa levar, se deixa ir,
vai parar num apê lá,
numa casa lá,
num rolê lá,
anda pela rua de um canto ao outro
em busca em busca em busca, uma quest,
há anos anos anos eu tinha outros anos
eu era outra pessoa
eu tinha em mim essa pessoa que agora
é essa voz que fala que se faz dizer que se
coloca que se firma que se desentende
consigo mesma?, eu era essa voz?
eu sei que há anos há anos há anos
eu era outrem e assim eu sentia
e parecia que outréns também
e tudo era mais promessa
e eu me pergunto
assim
é só amargor que vem?
de um tempo que já passou?
me pergunto
assim
é só?
eu digo não

sábado, 14 de janeiro de 2017

ao reverso eu

eu espirro
eu espiro
eu espiral
eu louca correndo gritando delirando no matagal
eu dizia apolo eu dizia dioniso eu dizia hera eu dizia
zeus eu dizia hécate eu dizia ceres eu dizia hades eu dizia
tudo ao reverso eu trocava letras
eu era a antessala e o amanhã em simultâneo
eu subia pelas escadas
eu saltava e flutuava eu fazia borboletas de som e glitter
eu mirava flechas nas tretas
eu voltava todas as quartas
eu preparava as tintas
eu soltava as bestas

dos mais distintos

estetoscópios, estetoscópios,
todos à mão com estetoscópios,
examinando-se uns aos outros mutuamente
meio absortos
aposento fechado
toca tame impala
é só mais uma noite qualquer
mias mias gato da esquina
com toda sua gatitude que se movimenta
e pula de um telhado a outro e às vezes cai
e eu não sou nada como o gato
eu ando eu vejo luzes eu atropelo palavras
eu vomito estrelas eu bajulo abandonos
eu invoco nomes e somas
eu convoco o movimento eu organizo
o bacanal, a convenção de trepantes
prontas prontos para encontros de dedos lambidas
genitais potências e se ali é um sussuro ali é um
morder de lábios ali é mais um
escorrer de baba de uma boca à outra
aposento fechado
toca grimes
não é só mais uma noite qualquer
nenhuma dessas noites e todas
metade de uma noite, dose de uma noite,
doze numa noite,
doze no copo,
disque doze para matar
cada pedaço fora do lugar do seu copo
colocar tudo em outras frequencias em remelexos
dos mais distintos remelexos e balançares
e revolteios e mini-convulsões
a gente esquece a gente vive a gente amaravilha um pouco
a gente esquece a gente vive coisa e tal
cruze a oitenta e cinco e segue
eu sigo eu sigo eu persigo a batida
eu desmonto a movimentação
eu faço um pouco de paz
eis aqui um pouco de paz:
alguém ouviu?
nem eu, então estatuetas
e mobiliário antigo
estão no aposento eu quase me sufoco porque
tenho rinite e coisa e tal daí eu peço
licença, por favor?, posso sair?,
aí me dizem que não e eu respiro
não, eu não, respiro,
eu espirro

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

_doris eleanor, não venha à sacada.
mas doris eleanor precisava ir à sacada.
disso dependia a vida de doris eleanor.

_veja, doris eleanor, estou presa num vórtice temporal

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

beliscotes e palalaglotes (ou: beliscotes e jazinas)

beliscotes e palalaglotes
juzinas e banavéis

jingotes e vanaínas
etrongos e manaláis

edrumbe o vanco cude
cetorque as criseidas jumas às telvalvéis

beliscotes e jazinas
frisemas e luras

degos e paleidonítivos
tilórinas e catavios

feganga a tuvana jeta
raporque os trisános eibos aos cigáveis