sábado, 14 de janeiro de 2017

dos mais distintos

estetoscópios, estetoscópios,
todos à mão com estetoscópios,
examinando-se uns aos outros mutuamente
meio absortos
aposento fechado
toca tame impala
é só mais uma noite qualquer
mias mias gato da esquina
com toda sua gatitude que se movimenta
e pula de um telhado a outro e às vezes cai
e eu não sou nada como o gato
eu ando eu vejo luzes eu atropelo palavras
eu vomito estrelas eu bajulo abandonos
eu invoco nomes e somas
eu convoco o movimento eu organizo
o bacanal, a convenção de trepantes
prontas prontos para encontros de dedos lambidas
genitais potências e se ali é um sussuro ali é um
morder de lábios ali é mais um
escorrer de baba de uma boca à outra
aposento fechado
toca grimes
não é só mais uma noite qualquer
nenhuma dessas noites e todas
metade de uma noite, dose de uma noite,
doze numa noite,
doze no copo,
disque doze para matar
cada pedaço fora do lugar do seu copo
colocar tudo em outras frequencias em remelexos
dos mais distintos remelexos e balançares
e revolteios e mini-convulsões
a gente esquece a gente vive a gente amaravilha um pouco
a gente esquece a gente vive coisa e tal
cruze a oitenta e cinco e segue
eu sigo eu sigo eu persigo a batida
eu desmonto a movimentação
eu faço um pouco de paz
eis aqui um pouco de paz:
alguém ouviu?
nem eu, então estatuetas
e mobiliário antigo
estão no aposento eu quase me sufoco porque
tenho rinite e coisa e tal daí eu peço
licença, por favor?, posso sair?,
aí me dizem que não e eu respiro
não, eu não, respiro,
eu espirro

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