domingo, 21 de maio de 2017

trecho #8809

os galhos, as folhas, são minhas testemunhas, eu não sou daqui, eu sou de qualquer outro lugar, não sei qual, tome minha confissão, peço que o faça, eu sinto que caminheir por séculos, eu estava perdido, eu tinha outro nome, eu dormia com lobos, eu sofria de delírios, pedaços me diziam que eu já caminheir por ruas, caminheir por mesas, por lugares onde viravam-se bebidas, onde se faziam ouvir histórias, eu não lembro meu nome, parece que já tive vários, e fico com essa sensação de que estou chegando ao lugar certo, sempre caminheir para frente, é o que vez em quando eu me ouvia dizer, de mim pra mim, só que sem dizer em voz alta, como oração, talvez, quem vai dizer, tanto tempo que fui a uma igreja, eu não saberia dizer acho que, sequer, o padre nosso, eu acho que me lembro de ir durante a infância, não estou certo, eu estive com alguém, alguém que me marcava pelo branco do olho, parecia que ali eu poderia mergulhar, era o que nos unia, girassóis deveriam enfeitar a casa que nunca tivemos e basta, mas basta de mim, como, sim, só eu posso dizer, bem, é verdade, aqui me parece um canto, eu poderia ficar por aqui, eu poderia ficar eternamente falando, só falando falando falando, eu poderia




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